Michelle amplia protagonismo no PL Mulher e gera incômodo interno - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Michelle amplia protagonismo no PL Mulher e gera incômodo interno

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Por Redação

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro intensificou sua atuação à frente do PL Mulher e tem provocado reações divergentes dentro do próprio partido. No Encontro Nacional de Mandatárias, em Brasília, ela lançou o livro “Edificando a Nação: Sobre Bases e Valores”, e reuniu cerca de mil participantes, entre prefeitas, vereadoras, deputadas e senadoras.

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Michelle tem utilizado o PL Mulher para ampliar sua visibilidade nacional e fortalecer sua imagem entre o eleitorado feminino. Com orçamento mensal de R$ 860 mil, ela promove eventos, estimula novas filiações e participa ativamente de agendas públicas. De acordo com dados do TSE, o número de filiadas da ala feminina do partido cresceu 14% desde 2023.

A estratégia tem respaldo do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, que vê em Michelle um nome competitivo para as próximas eleições. Internamente, no entanto, parte da base demonstra resistência. A crescente projeção da ex-primeira-dama alimenta tensões com aliados históricos de Bolsonaro.

Em maio, vieram a público mensagens entre o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e o assessor Fábio Wajngarten com críticas à atuação de Michelle. Wajngarten chegou a dizer que os filhos de Bolsonaro também não a apoiam. Em reação, Michelle pediu sua demissão da diretoria do PL.

Deputadas como Bia Kicis e Dani Alonso, ligadas ao PL Mulher, minimizam as divergências. “Michelle trouxe uma identidade ao partido”, diz Alonso. Kicis aponta que a popularidade da ex-primeira-dama cresceu desde 2022, quando passou a discursar em eventos de campanha para diminuir a rejeição a Bolsonaro entre as mulheres.

Pesquisas recentes indicam que Michelle tem 26% das intenções de voto para a presidência e seria hoje o nome da direita mais próximo de Lula, que aparece com 37%. No segundo turno, perderia por margem estreita: 46% a 42%.

Apesar do avanço, integrantes da legenda apontam que o investimento em Michelle supera o destinado a nomes como Eduardo Bolsonaro, o que gera desconforto. Ainda há quem questione sua experiência política e alegue dificuldades em sua condução interna.

O próprio Bolsonaro já afirmou, no passado, que Michelle “precisava de algo mais” para ser candidata. Nos últimos meses, entretanto, alterna sinais sobre o papel que ela pode desempenhar em 2026, incluindo a possibilidade de uma candidatura ao Senado.

Aliados próximos avaliam que Valdemar aposta em Michelle como liderança capaz de manter o capital eleitoral do ex-presidente entre conservadores e evangélicos.

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