Sob pressão dos EUA, México deve elevar tarifas sobre países
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Sob pressão dos EUA, México planeja elevar tarifas comerciais sobre vários países

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Por Isac Mascarenhas

Carros chineses devem ser o principais alvos da sobretaxa proposta

O governo do México apresentou nesta quarta-feira (10) uma proposta ao Congresso para elevar suas tarifas de importação de produtos de vários países, numa tentativa de proteger setores estratégicos de sua indústria da concorrência, principalmente de produtos chineses.

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A medida ocorre em meio a pressões comerciais dos Estados Unidos, que sobretaxaram produtos chineses, e à preocupação de que esses produtos possam ser desviados para o mercado mexicano, enquanto o país também enfrenta tarifas americanas.

As tarifas propostas pelo governo de Claudia Sheinbaum chegam a até 50% e miram países com os quais o México não possui acordos comerciais. A China, que o governo mexicano aponta como o maior exportador para o México sem acordo comercial, seria fortemente afetada, especialmente no setor automotivo.

De acordo com o texto do governo mexicano, automóveis teriam que pagar uma tarifa de 50% para entrar no país, contra a taxa atual de 15% a 20% — as vendas de montadoras chinesas no país cresceram quase 10% em 2024, ocupando 30% do mercado de veículos leves no ano passado.

Além da China, o projeto prevê tarifas sobre produtos da Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Rússia, Tailândia e Turquia.

Outros setores impactados seriam o têxtil e o de vestuário, cujas taxas poderiam chegar a 50%, e o siderúrgico, que passaria de uma faixa de 0% a 50% para entre 20% e 50%.

Se aprovada, a proposta terá impacto em “US$ 52 bilhões em importações” e abrangerá “8,6% do total das importações nacionais”, segundo a Secretaria de Economia do México.

A iniciativa de Sheinbaum, que conta com ampla maioria no Congresso para aprovar a proposta, busca “proteger a indústria nacional em setores estratégicos, substituir importações da Ásia por produção nacional” e “melhorar a balança comercial do México”, prevendo a preservação de 325 mil empregos.

A pasta assegurou que as tarifas se mantêm dentro do limite máximo estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e que os produtos foram selecionados para não gerar pressões inflacionárias.

A iniciativa ocorre após a presidente receber o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em visita oficial há uma semana, com quem discutiu segurança, combate ao tráfico de drogas e comércio. O presidente americano, Donald Trump, tem exigido que seus parceiros comerciais aumentassem as tarifas sobre a China e Rússia.

As gigantes americanas General Motors e Ford produzem seus automóveis no México e não seriam afetadas pelas tarifas.

Em resposta, a China afirmou nesta quinta-feira (11) que “opõe-se de modo veemente a qualquer coerção” e que protegerá seus interesses. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, destacou que Pequim “atribui grande importância ao desenvolvimento das relações entre China e México e espera que o país avance na mesma direção com a China”.

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