A Polícia Federal encontrou no celular de um dos integrantes de uma quadrilha que cobrava até R$ 250 mil por assassinato dezenas de fotos de possíveis vítimas. As imagens estavam no telefone de Heliderson Fialho Martins, instrutor de tiro preso em janeiro pelo envolvimento na morte do advogado Roberto Zampieri, figura-chave em um esquema de venda de sentenças no Judiciário.
A informação foi revelada na decisão do ministro do STF Cristiano Zanin que autorizou a 7ª fase da Operação Sisamnes, deflagrada na última quarta-feira (28). O documento, obtido pela CNN, mostra que, além das imagens, a PF encontrou um áudio em que Martins admite ter viajado para “resolver aquela pendenga”, referência à execução de Zampieri, e ainda falava sobre “futuras missões” pelas quais seria pago.
Para Zanin, os elementos reunidos pela PF apontam uma organização criminosa estruturada, formada por militares da ativa e da reserva, com o objetivo de eliminar pessoas. A investigação ainda revelou o nome do grupo: C4, sigla que significa “Caça aos Comunistas, Corruptos e Criminosos”.
De acordo com a PGR, o esquema operava como uma empresa, com preços definidos: R$ 250 mil para assassinar ministros do STF, R$ 150 mil para senadores, R$ 100 mil para deputados e R$ 50 mil para cidadãos comuns. Zanin informou ainda que os registros apreendidos, como diálogos sobre o monitoramento das vítimas e mensagens do tipo “missão cumprida”, indicam uma “capacidade operacional e bélica” de alto nível.
Segundo o ministro, o grupo apresentava “elevado potencial de letalidade” e sua liberdade representava um grave risco. A PF segue investigando o alcance e a atuação da quadrilha.
