Advogado da Rumble teve dados mostrados em relatório da PF e diz ter recebido ameaças
O especialista em direito constitucional André Marsiglia criticou a divulgação de mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) e incluídas no relatório de indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro. Para Marsiglia, a divulgação dessas informações, especialmente os dados pessoais de Martin De Luca, configura um “completo absurdo” e um “crime de doxing”.
“Qual é o interesse público dessas mensagens? Zero. Qual é o interesse público que justifica você revelar por que o pai falou assim com o filho? Porque o pastor disse isso pra um e pra outro, não há nada ali”, questionou durante sua participação no programa Alive, do canal no Youtube Claudio Dantas.
A crítica de Marsiglia se concentra na exposição dos dados sensíveis de Martin de Luca, como endereço e telefone, o que ele classifica como doxing. “O doxing é exatamente isso, é você pegar os dados sensíveis e jogar esses dados da pessoa para expô-la, para fazer com que ela se constranja, para fazer com que exista um prejuízo a ela. É disso que se trata, ele está sendo ameaçado em razão disso”, explicou.
O advogado Martin de Luca já havia se manifestado nas redes sociais, relatando ter recebido “inúmeras ameaças” após a divulgação de seu número de celular no relatório da PF.
Para Marsiglia, a exposição desses dados, além de violar preceitos constitucionais como a intimidade e a privacidade, e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), caracteriza um crime específico.
“O que que justifica ele ter ali os seus dados revelados, inclusive dados sensíveis como a gente mencionou, de endereço, de telefone, é um absurdo isso, um completo absurdo, uma responsabilidade das autoridades públicas”, concluiu Marsiglia, demonstrando preocupação com a potencial impunidade dessas ações.
