O senador Marcos do Val (Podemos-ES) viajou aos Estados Unidos durante o recesso parlamentar, ignorando uma determinação de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A viagem, noticiada pelo UOL, ocorreu por Manaus, usando um passaporte diplomático.
Com uma camiseta do Mickey Mouse, o senador realizou uma transmissão ao vivo para anunciar que estava na Disney. “Eu estou na Disney. Vim passar férias. Férias”, disse. A live foi feita por meio de seu Instagram, que está bloqueado no Brasil, mas pode ser acessado em outros países.
Em uma publicação feita logo depois da transmissão ao vivo, o senador criticou o Supremo e alegou perseguição política. “Hoje estou aqui, nos Estados Unidos. Depois de 2 anos e meio de perseguição impiedosa por parte de Alexandre de Moraes –que tentou me calar, me impedir, me destruir e até cancelou ilegalmente o meu passaporte, num ato desesperado de abuso de poder”.
Veja:

Em agosto do ano passado, o ministro havia ordenado a apreensão dos passaportes de Do Val, incluindo o diplomático, e o bloqueio de R$ 50 milhões de sua conta. A medida fazia parte de um inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga ofensas e ataques contra os investigadores da instituição.
Apesar da ordem, a PF não conseguiu reter o passaporte diplomático, que estaria no gabinete do senador em Brasília. Ainda durante a transmissão ao vivo, Marcos do Val afirmou que se recusou a entregar o documento. “Ainda não fui julgado e condenado. A lei me garante ainda ter um passaporte”, disse, mostrando um passaporte diplomático.
Em 15 de julho, do Val fez um pedido ao STF para viajar com a família a Orlando. No dia seguinte, Moraes negou o requerimento, alegando que não havia motivo para revogar as medidas cautelares, já que a investigação ainda está em andamento.
Em nota oficial, Marcos do Val afirmou que viajou “com toda a documentação diplomática e consular plenamente regular” e que informou a saída do país antecipadamente ao STF, ao Ministério das Relações Exteriores e ao Senado Federal. O parlamentar disse ainda que seu passaporte diplomático estaria válido até julho de 2027 e sem restrições.
No entanto, uma decisão unânime da Primeira Turma do STF, de fevereiro de 2025, já havia rejeitado um recurso do senador e mantido a determinação de bloqueio e entrega dos passaportes, incluindo o diplomático.
