Maioria dos brasileiros diz que há ditadura do judiciário; Gilmar, Barroso e Moraes são os mais impopulares - Claudio Dantas
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
Política

Maioria dos brasileiros diz que há ditadura do judiciário; Gilmar, Barroso e Moraes são os mais impopulares

Impopulares: na pesquisa AtlasIntel de agosto de 2025, os campeões da imagem negativa no STF são Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Fotos: Nelson Jr./SCO/STF
Impopulares: na pesquisa AtlasIntel de agosto de 2025, os campeões da imagem negativa no STF são Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Fotos: Nelson Jr./SCO/STF

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

O Supremo Tribunal Federal está apostando em campanhas com influenciadores para melhorar sua imagem, mas uma pesquisa publicada hoje pela AtlasIntel e Bloomberg sugere que o desafio será substancial, pois uma maioria acredita que o Brasil está sob a tutela de uma juristocracia.

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Opiniões sobre a instalação da juristocracia

Uma maioria de 45,4% pensa que o Brasil vive sob uma ditadura do judiciário, contra 43,3% que dizem que o judiciário cumpre seu papel corretamente.

Comparando com fevereiro de 2024, quando 47,3% afirmaram que há uma ditadura do judiciário, a mudança mais dramática não foi a queda de quase dois pontos percentuais nessa percepção, mas o sumiço dos que não sabem: caíram de 15,2% para apenas 0,1% — um sinal de polarização.

Outra mudança notável de fevereiro de 2024 para agosto de 2025 foi o salto dos que afirmam que o judiciário cumpre corretamente seu papel: de 20,9% para 43,3%.

A percepção negativa do judiciário, se somarmos os que afirmam que há juristocracia aos que discordam, mas pensam que muitos juízes cometem abusos, sobe para 56,6%.

Uma prova apresentada na pesquisa de que esses resultados refletem polarização são as respostas separadas por voto no segundo turno das eleições de 2022. Enquanto 88,1% dos que votaram em Jair Bolsonaro afirmam que há ditadura do judiciário, 86% dos que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que ele está fazendo um bom trabalho.

A opinião de que há juristocracia é majoritária também nos que votaram branco ou nulo (47,8%, outros 35,1% discordam mas afirmam abusos de juízes, só 17,2% afirmam bom trabalho), mas minoritária entre os que não votaram (39,1%; 47,3% afirmam bom trabalho).

Mais da metade dos brasileiros não confia no trabalho do STF e de seus ministros. São 51,3%, contra 48,5% que confiam. A polarização é indicada, mais uma vez, pelo baixo número dos que não sabem: apenas 0,2%.

Percepção dos ministros

As opiniões dos brasileiros sobre cada ministro do STF segue o quanto cada um está aparecendo no debate público e, também, a polarização política. Alexandre de Moraes é percebido mais de forma negativa (51%) que positiva (49%) — ninguém entrevistado ficou sem opinião a seu respeito.

Ainda assim, excluídos os que não souberam responder a respeito dos outros ministros, Moraes é o mais popular. Nunes Marques tem a mais baixa percepção positiva do público, 25%, mas isso é porque ele é pouco conhecido, 32% não sabem dizer se o veem positivamente ou negativamente.

Só dois ministros do STF são mais impopulares que Moraes: Luís Roberto Barroso, que está deixando a presidência da corte (53% de percepção negativa) e Gilmar Mendes, o decano (56%).

8 de Janeiro: maioria considera punições exageradas e é contra prisão domiciliar de Bolsonaro

Poucas pessoas concordam com os atos do 8 de Janeiro: 8,4%. Uma porção maior acredita que as invasões na Praça dos Três Poderes foram parcialmente justificadas: 23,9%.

Mais da metade dos brasileiros, 51,1%, acham que as punições aos manifestantes foram exageradas. Uma maioria de 52,1% discorda das penas de 15 anos de prisão ou mais.

Metade pensa que Bolsonaro não foi responsável pelo 8 de Janeiro, contra 48,8% que o culpam e 1,2% que não sabem. O ex-presidente se sai melhor quanto às opiniões sobre sua prisão domiciliar: 52,1% são contra. Também, na questão da inelegibilidade, marginalmente: 50,1% discordam da decisão do TSE, 49,5% aprovam.

A pauta da anistia, contudo, não está popular: 51,2% são contra uma anistia que seja ampla, geral e irrestrita para líderes políticos e manifestantes investigados ou condenados por suposta tentativa de golpe e invasão dos prédios da Praça dos Três Poderes.

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