PF mira deputado do PSDB em caso de fraude de R$ 200 mi
Brasília, Segunda, 20 de julho de 2026
Justiça

PF mira deputado do PSDB em caso de fraude de R$ 200 mi no Rio

Empresa Consuvet é apontada como central em suposto esquema de fraudes

PF mira deputado do PSDB em caso de fraude de R$ 200 mi no Rio
Mario Agra/Câmara dos Deputados

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

O deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB) é alvo na manhã desta terça-feira (12) da Operação Castratio, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar suspeitas de fraude em licitações no governo do Rio de Janeiro.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A investigação mira contratos de R$ 200 milhões firmados pela Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento para serviços de castração e esterilização de animais. À época, Queiroz chefiava a pasta.

A PF cumpriu 12 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar foi abordado no Aeroporto Santos Dumont quando embarcaria para Brasília. O celular dele foi apreendido.

O foco da investigação é a empresa Consuvet, que venceu a licitação após ser criada apenas três meses antes dos contratos milionários. Relatórios da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio apontam indícios de superfaturamento e direcionamento.

A Polícia Civil identificou Antônio Emílio Santos como peça central do esquema. Ele era diretor administrativo e financeiro da Secretaria de Agricultura antes da licitação e, posteriormente, passou a integrar a própria Consuvet como sócio.

Foi ele quem autorizou a abertura do processo licitatório que resultou na contratação da empresa. Em seguida, deixou o cargo e passou a atuar na estrutura privada.

Segundo relatórios de inteligência, Santos recebeu R$ 888 mil em oito meses da empresa, incluindo um saque de mais de R$ 700 mil em dezembro de 2023.

As suspeitas incluem inconsistências na própria criação da empresa. A Consuvet apresentou comprovante de capacidade técnica emitido 17 meses antes de sua fundação e só obteve registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária após firmar contrato com o governo.

A PF afirma ter reunido indícios de que Queiroz se associou à causa animal como estratégia de projeção política, com possível benefício eleitoral a partir dos contratos.

Na decisão que autorizou a operação, Flávio Dino aponta que o esquema se concentra na Consuvet e cita que o deputado ocupava a secretaria “justamente no período no qual se iniciaram as fraudes licitatórias em favor da empresa”.

Os investigadores também citam crescimento patrimonial de cerca de 665% no período, com base em declarações eleitorais, além de vínculos mantidos após a saída da secretaria.

A PF apura ainda a atuação de assessores e a existência de aditivos contratuais sem justificativa técnica, que ampliaram os valores pagos à empresa.

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio já haviam identificado indícios de superfaturamento e direcionamento antes da operação federal.

A investigação também aponta movimentações envolvendo Antônio Emílio Santos, que recebeu R$ 888 mil e realizou saque de mais de R$ 700 mil em 2023.

Outro ponto investigado é a atuação de aliados do parlamentar. Segundo a PF, houve tentativa de ocultação de celular de uma subsecretária ligada ao caso, além de resistência na entrega de aparelho durante buscas anteriores.

Marcelo Queiroz iniciou a vida pública em 2012 como vereador no Rio de Janeiro. Depois, passou pela Assembleia Legislativa, ocupou secretarias estaduais e foi eleito deputado federal em 2022.

Em nota, a defesa afirma que “a tentativa de vincular a imagem do deputado a problemas do Governo do Estado se originou com alegações infundadas no período eleitoral da sua candidatura a prefeito em 2024, quando não aceitou apoiar o candidato do ex-governador do estado do Rio de Janeiro”.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade