O presidente Lula (PT) criticou a postura do presidente dos EUA, Donald Trump (Republicano), e afirmou que ele “não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país”. A declaração foi dada em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16).
Na conversa, Lula questionou a condução da política externa dos Estados Unidos e defendeu que chefes de Estado atuem com base no diálogo e no respeito à soberania. “Quando se é chefe de Estado, deve-se respeitar a soberania dos outros países”, afirmou.
O presidente brasileiro também criticou o uso de poder econômico e militar como instrumento de pressão internacional. Segundo ele, a lógica de imposição adotada por Trump é equivocada: “Ele está jogando um jogo muito errado, achando que a força econômica, militar e tecnológica determina as regras”.
Ao comentar tensões globais recentes, Lula alertou para os riscos de escalada de conflitos. “Pelo amor de Deus, uma terceira guerra mundial seria uma tragédia dez vezes mais potente que a segunda”, disse. Ele reforçou que prefere investir em áreas sociais, como educação e combate à fome, em vez de ampliar gastos militares.
Durante a entrevista, o petista também defendeu uma reformulação do sistema internacional, com críticas ao funcionamento da Organização das Nações Unidas (ONU). Para Lula, o Conselho de Segurança perdeu credibilidade e precisa ser revisto.
“Os senhores da paz se transformaram em senhores da guerra”, declarou, ao defender mudanças como o fim do poder de veto e a ampliação da representatividade global.
Sobre a situação na América Latina, Lula comentou o cenário na Venezuela e defendeu que soluções sejam conduzidas internamente. “Isso é um problema da Venezuela, e não do Brasil”, afirmou, acrescentando que eventuais saídas devem passar por processos eleitorais pactuados entre governo e oposição.
O presidente também abordou o cenário político interno e demonstrou confiança no futuro eleitoral. Segundo ele, “o bolsonarismo não voltará a governar” o país, argumentando que a maioria da população prefere a manutenção da democracia.
As declarações foram feitas às vésperas de uma viagem oficial à Barcelona, onde Lula participará de encontros com lideranças internacionais e de um fórum político.
