Em Nova York, exalta a COP30 em Belém e defende voz do Sul Global
O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (23) que “bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática” e que 2024 “foi o ano mais quente”. Em discurso na abertura do debate geral, ele disse que “a COP30 será a COP da verdade” e prometeu que, “em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia”: “Será o momento dos líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta”. O petista voltou a criticar combustíveis fósseis e defendeu “refundar a OMC”, ao afirmar que “medidas unilaterais prejudicam cadeias de valor”.
Lula elevou o tom contra a inação climática e reforçou o compromisso do Brasil com a redução de emissão de gases: “Sem ter o quadro completo das determinações nacionalmente determinadas, a chamadas ND6, caminharemos de olhos vendados para um verdadeiro abismo. O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% de suas emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa, em todos os setores da economia. Nações em desenvolvimento enfrentam a mudança do clima ao mesmo tempo em que lutam contra outros desafios. Enquanto isso, países ricos usufruem de padrão de vida obtido as custas de 200 anos de emissões de gases”.
Em recado contra barreiras e sanções, o presidente declarou que “medidas unilaterais prejudicam cadeias de valor” e que é “urgente refundar a OMC”. Para Lula, “a voz do Sul Global deve ser respeitada e ouvida”.
Aplaudido cinco vezes durante o discurso, Lula homenageou o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica e o Papa Francisco: “Este ano o mundo perdeu duas personalidades excepcionais, Mujica e Papa Francisco, ambos foram humanistas. Se ainda estivessem entre nós, usariam essa tribuna para dizer que o autoritarismo não é inexorável”.
Minerais críticos também foram pauta de Lula
O presidente aproveitou para pontuar que a necessidade de novas fontes de minerais críticos não pode ter “lógica predatória”. Disse também que o mundo verá a redução do desmatamento na região amazônica e comentou sobre o Fundo “Florestas Tropicais”, iniciativa de financiamento climático:
“A corrida por minerais críticos essenciais para a transição energética não pode reproduzir a lógica predatória que marcou os últimos séculos. Em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia. O Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na região nos dois últimos anos. Erradicá-lo requer garantia, condições dignas de vida para seu milhões de habitantes. Fomentar o desenvolvimento sustentável é o objetivo do “Fundo Florestas Tropicais para Sempre”, que o brasil pretende lançar, para remunerar os países que mantem suas florestas em pé”.
