Apesar do tom mais ameno, Senado ainda resiste em pautar a indicação de Messias
Em meio à crise que marca a relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), fez nesta sexta-feira (5) um gesto público de aproximação a Lula (PT).
A declaração ocorreu durante a inauguração do primeiro centro de radioterapia do Amapá, uma obra viabilizada com recursos do governo federal e aguardada há anos pela população do estado.
No evento, Alcolumbre agradeceu a Lula pela “sensibilidade”, “compromisso” e “espírito público”, destacando o que classificou como um olhar diferenciado do governo federal para as regiões Norte e Nordeste.
Segundo o senador, essas regiões enfrentam um “abismo gigantesco do ponto de vista social e humano” e, por isso, demandam atenção contínua do poder público.
A cerimônia foi interpretada por integrantes do Planalto como mais um aceno do presidente na tentativa de melhorar o clima com o chefe do Senado, em um momento de tensão institucional, marcado por divergências envolvendo decisões do Supremo Tribunal Federal, disputas por espaço político e dificuldades na articulação de pautas no Congresso.
Apesar do tom amistoso adotado publicamente, a avaliação nos bastidores do Senado é de cautela.
Aliados de Alcolumbre afirmam que a reaproximação simbólica ainda não representa, na prática, um compromisso com a pauta mais sensível do governo no momento: a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Até agora, porém, a tendência indicada por interlocutores no Congresso é de que essa sabatina seja adiada para o próximo ano.
