Empresariado quer que presidente leve opções para suspender tarifaço
O presidente Lula comemorou o breve e amistoso encontro com Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, afirmando que “pintou uma química mesmo” entre eles. O aceno do presidente americano — que criticou a economia brasileira, mas se mostrou disposto a negociar — foi visto como um “respiro” pelo empresariado brasileiro, que já se articula para influenciar a pauta do diálogo.
Em coletiva de imprensa na ONU, Lula classificou o encontro como um evento que “deixou de ser impossível e aconteceu.”
“Fiquei feliz quando ele disse que pintou uma química boa entre nós. Como eu acho que a relação humana é 80% química e 20% emoção, é muito importante essa relação,” disse Lula. Ele minimizou as críticas de Trump e expressou otimismo, dizendo que o líder americano deve estar “mal-informado sobre o Brasil” e que um encontro poderia resolver o problema.
Nos bastidores, o empresariado brasileiro celebrou a abertura de diálogo. Segundo o portal Metrópoles, grupos empresariais planejam procurar o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, para apresentar sugestões de temas a serem abordados na conversa com Trump.
Os empresários querem que Lula priorize na agenda assuntos de interesse comercial e tecnológico, como minerais raros, o acordo do etanol e instalação de data centers no Brasil.
O setor empresarial vê o gesto de Trump como um sinal de que as relações comerciais podem ser amenizadas, especialmente após os EUA anunciarem em julho uma sobretaxa de 50% a diversos produtos brasileiros.
Apesar da cordialidade no possível encontro, Trump havia feito críticas duras ao Brasil em seu discurso na ONU, declarando que “o Brasil está indo mal, e só irá melhorar quando trabalhar em cooperação com os Estados Unidos. Sem nós, eles fracassarão, assim como outros fracassaram.”
Lula rebateu as críticas, mas reforçou o interesse mútuo: “Brasil e Estados Unidos são as duas maiores democracias do continente” e têm muitos “interesses empresariais e comerciais”.
