Petista classificou medida como vergonhosa e inaceitável; Ministro alega que não foi comunicado
O presidente Lula criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de suspender o visto do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e de outros ministros brasileiros. A declaração foi feita durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto e confirma, até então, que o documento do ministro foi cancelado.
A informação havia sido antecipada pelo deputado em exílio Eduardo Bolsonaro e por seu braço direito nos EUA, o jornalista Paulo Figueiredo, na última quarta (20). Ambos articulam sanções a autoridades brasileiras junto ao governo americano. Segundo a dupla, o senador e ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também teve o visto revogado.
Nesta terça-feira (26), Lula expressou sua solidariedade a Lewandowski, classificando a ação como um “gesto irresponsável”. “Eu acho que eles estão deixando de receber uma personalidade da tua competência, da tua capacidade. Eu acho que é vergonhoso para eles e não para você”, afirmou o presidente.
Ele também disse que a atitude é “inaceitável, não só contra o Lewandowski, mas contra os ministros da Suprema Corte, contra qualquer personalidade brasileira”.
O ministro Lewandowski, por meio de sua assessoria, informou que ainda não recebeu uma confirmação oficial do governo americano sobre o cancelamento de seu visto. Pacheco afirma que também não foi comunicado.
Se confirmada pela gestão Trump, a medida representaria a primeira revogação de visto contra um ministro do governo e um senador em exercício.
A suspensão do visto de Lewandowski se junta a uma série de ações do governo dos EUA contra autoridades brasileiras. No mês passado, os Estados Unidos suspenderam os vistos do ministro do Moraes e de outros sete magistrados da Corte, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Recentemente, funcionários do programa Mais Médicos e a esposa e filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também tiveram seus vistos revogados.
Representantes do governo norte-americano têm justificado essas ações como uma forma de responsabilizar estrangeiros por atos de censura. O ex-presidente Donald Trump também impôs um tarifaço a produtos brasileiros e aplicou a Lei Magnitsky contra Moraes.
