Liquidação do Master não abala sistema financeiro, diz BC
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Liquidação do Master não abala sistema financeiro, diz BC

Fundo Garantidor de Crédito atuou para absorver choques, mas autarquia alerta para riscos globais

Edifício-Sede do Banco Central do Brasil em Brasília
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O Banco Central afirmou nesta quinta-feira (19), ao divulgar a ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), que a liquidação extrajudicial de instituições ligadas ao conglomerado Master não gerou impactos significativos no Sistema Financeiro Nacional.

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Segundo o documento, os mecanismos de proteção existentes, principalmente o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), foram acionados e funcionaram como previsto, garantindo a estabilidade do sistema.

“A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do Conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no âmbito do SFN”, registrou a autoridade monetária.

O episódio serviu, na prática, como um teste da capacidade de resposta do sistema financeiro, com os recursos do FGC absorvendo os pagamentos estimados em R$ 51,8 bilhões a clientes e investidores afetados.

No Brasil, o cenário financeiro ainda é considerado sólido, com capital e liquidez suficientes para enfrentar situações de estresse. No entanto, o BC alerta que juros elevados e alto endividamento de famílias e empresas exigem cautela adicional na concessão de crédito. Além disso, a expansão do mercado de capitais, embora amplie opções de financiamento, aumenta a complexidade e os riscos das operações.

O documento destaca ainda preocupações com falhas operacionais e riscos cibernéticos, em um contexto de recentes vulnerabilidades em instituições financeiras e empresas de tecnologia. Nos testes de estresse do Banco Central, o principal risco identificado continua sendo a perda de confiança no regime fiscal, considerado o maior desafio para a estabilidade do sistema.

Apesar da resiliência doméstica, a autoridade monetária ressalta que o cenário global segue tenso, com instabilidade nos preços de commodities e volatilidade cambial.

“O cenário global prospectivo segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais”, apontou o BC, citando a elevação do petróleo e oscilações no dólar como possíveis impactos internacionais.

O Comitê também mencionou a necessidade de acompanhamento contínuo diante da guerra no Oriente Médio e de políticas econômicas externas, alertando que eventos geopolíticos e decisões monetárias em grandes economias podem refletir no Brasil, afetando juros, câmbio e mercados de capitais.

Entre as instituições liquidadas pelo FGC estão o Banco Master, Banco Letsbank, Will Financeira e Pleno Distribuidora, entre outras nove entidades, todas ligadas ao conglomerado do empresário Daniel Vorcaro, que atualmente está preso.

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