O leilão de concessão do Túnel Santos–Guarujá, maior obra do Novo PAC e primeiro túnel submerso da América Latina, acontece hoje, em São Paulo. O certame é organizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e pelo governo de São Paulo.
A disputa deve envolver duas empresas estrangeiras. A entrega de propostas, na segunda-feira (1º), confirmou a participação da portuguesa Mota-Engil — que tem a gigante chinesa CCCC como acionista com pouco mais de 30% do capital — e da espanhola Acciona.
O projeto, com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, será executado via concessão patrocinada. Desse total, R$ 5,1 bilhões virão de aportes públicos divididos igualmente entre a União e o Estado de São Paulo. A concessão terá 32 anos de vigência, prorrogáveis, com fiscalização da Antaq em parceria com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
A Mota-Engil, vem ampliando operações no Brasil, incluindo mobilidade urbana e serviços para óleo e gás e, recentemente, concluiu a aquisição da ECB (Empresa Construtora Brasileira), de Belo Horizonte. Já a Acciona tem expansão acelerada no país, com atuação em energia, rodovias e concessões e PPPs de saneamento básico.
A nova ligação fixa entre as duas margens da costa santista terá 1,5 quilômetro de extensão, sendo 870 metros submersos. Estão previstas três faixas por sentido, incluindo uma exclusiva para Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de acessos para pedestres e ciclistas. A tecnologia é inédita no país.
Mudanças para os usuários
Hoje, a travessia entre Santos e Guarujá recebe diariamente cerca de 21 mil veículos, 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres, atendidos por balsas e catraias. O tempo de deslocamento varia de 8 a 60 minutos, a depender das condições de tráfego e operação. Com o túnel, a passagem deverá ser feita em aproximadamente dois minutos, reduzindo filas, oferecendo maior conforto e segurança à população e ampliando a eficiência logística do Porto de Santos.
A expectativa é que a obra gere empregos diretos e indiretos tanto na construção quanto na operação, impulsione o comércio, fortaleça o turismo e aumente a atratividade de investimentos na Baixada Santista. A previsão é de que as obras sejam iniciadas ainda neste ano.
