Obra bilionária vira sucata e gov leiloa restos VLT Cuiabá
Brasília, Segunda, 06 de julho de 2026
Brasil

Obra bilionária termina em sucata e governo leiloa restos do VLT de Cuiabá

Projeto iniciado para o Mundial de 2014 consumiu mais de R$ 1 bilhão, foi abandonado após anos de atrasos e deu lugar ao BRT

VLT Cuiabá leilão
Foto: Reprodução/ Governo do Estado do Mato Grosso

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Por Redação

Mais de uma década após ser apresentado como a principal obra de mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá teve um desfecho simbólico: em junho deste ano, o Governo de Mato Grosso realizou o leilão dos materiais remanescentes do projeto, encerrando mais um capítulo de uma obra que nunca entrou em operação.

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O certame, promovido pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), colocou à venda 91 lotes de equipamentos, estruturas e componentes adquiridos para o sistema ferroviário. A expectativa do governo era arrecadar cerca de R$ 21,8 milhões com a venda dos bens, classificados como reaproveitáveis, obsoletos ou sucata.

Entre os materiais leiloados estavam aproximadamente cinco quilômetros de trilhos, postes semafóricos, transformadores, cabos de comunicação, equipamentos elétricos, peças ferroviárias, sistemas de sinalização e grandes vigas de concreto destinadas à construção de pontes e viadutos.

Somente os lotes de vigas pré-moldadas representavam mais da metade do valor estimado para o leilão.

Parte dos equipamentos permaneceu armazenada por mais de dez anos em galpões próximos ao Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, enquanto outros itens chegaram a ser instalados durante a execução das obras, mas acabaram sendo removidos após a mudança de projeto.

O VLT foi contratado em 2012 para ligar Cuiabá a Várzea Grande por meio de duas linhas, somando cerca de 22 quilômetros de extensão. A promessa era entregar o sistema antes da Copa do Mundo de 2014, quando a capital mato-grossense recebeu quatro partidas do torneio.

No entanto, a obra acumulou sucessivos atrasos, aditivos contratuais, paralisações e investigações sobre supostas irregularidades. Em dezembro de 2014, os trabalhos foram interrompidos com cerca de 30% da execução física concluída, após o Estado já ter desembolsado mais de R$ 1 bilhão.

Nos anos seguintes, auditorias apontaram diferentes estimativas para a conclusão do projeto, enquanto operações policiais e ações judiciais investigaram suspeitas de corrupção envolvendo o antigo Consórcio VLT Cuiabá.

Em 2017, após a Operação Descarrilho, o governo estadual rompeu unilateralmente o contrato com as empresas responsáveis pela obra. A rescisão foi posteriormente mantida pela Justiça.

Em 2020, o governador Mauro Mendes (União Brasil) anunciou o abandono definitivo do VLT e a substituição do sistema pelo Bus Rapid Transit (BRT). A justificativa foi o menor custo para implantação e operação do novo modal.

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