Junta médica de Bolsonaro conclui por necessidade de cuidados contínuos
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Junta médica de Bolsonaro conclui por necessidade de cuidados contínuos

Laudo indica doenças crônicas e sequelas, porém considera tratamento viável no presídio

Bolsonaro
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O laudo elaborado por peritos criminais da Polícia Federal sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aponta que ele possui diversas doenças crônicas e sequelas permanentes, porém pode continuar cumprindo pena na unidade prisional do Complexo da Papuda, no Distrito Federal.

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O documento foi produzido por junta médica oficial por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da execução penal. A perícia avaliou tanto o quadro clínico quanto as condições estruturais do local de custódia para subsidiar a análise do pedido da defesa por prisão domiciliar humanitária.

Condições clínicas e sequelas

Segundo o relatório, Bolsonaro apresenta múltiplas comorbidades e consequências decorrentes do atentado sofrido em 2018, quando foi atingido por uma facada no abdome. As cirurgias posteriores resultaram em perda de parte do intestino grosso, aderências intestinais extensas e redução da parede abdominal.

Entre os diagnósticos descritos estão:

  • hipertensão arterial;
  • doença aterosclerótica cardiovascular;
  • estenose de artérias carótidas;
  • refluxo gastroesofágico com esofagite;
  • apneia do sono grave;
  • episódios recorrentes de pneumonia aspirativa;
  • anemia por deficiência de ferro;
  • neoplasias cutâneas;
  • soluços persistentes de difícil controle.

O ex-presidente relatou fadiga intensa causada por medicação para conter os soluços, além de tonturas ao se levantar e perda de força muscular nos membros inferiores. A avaliação neurológica identificou marcha levemente instável, com necessidade ocasional de apoio durante deslocamentos.

Recomendações médicas

Os peritos afirmam que o tratamento demanda acompanhamento permanente, incluindo:

  • controle rigoroso da pressão arterial e frequência cardíaca;
  • dieta fracionada e monitoramento nutricional;
  • exames laboratoriais e de imagem periódicos;
  • uso contínuo de aparelho CPAP durante o sono;
  • vigilância quanto a risco de quedas.

Apesar das exigências clínicas, o laudo conclui que as necessidades podem ser atendidas no ambiente carcerário atual, onde há estrutura de saúde disponível e atendimento contínuo.

Avaliação física e mental

Durante o exame realizado em 20 de janeiro, Bolsonaro foi descrito como consciente, orientado no tempo e no espaço, colaborativo e com memória preservada. O humor foi classificado como estável, com leve ansiedade, sem sinais de delírios ou alucinações.

Ele relatou manter rotina diária com leitura pela manhã, descanso após o almoço, caminhadas sob escolta e acompanhamento de programas esportivos na televisão. Também afirmou preocupação com familiares, mas negou acompanhamento psiquiátrico regular.

Ambiente prisional

No depoimento aos peritos, Bolsonaro disse ter percebido melhora após a transferência para a Papuda e relatou atividades diárias como leitura, descanso após o almoço, caminhadas escoltadas e televisão.

O documento registra que ele considerou “satisfatória a limpeza do ambiente” e destacou maior espaço para circulação.

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