Justiça manda deputado do PT se retratar por montagem contra Bolsonaro
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Justiça manda deputado do PT se retratar por montagem contra Bolsonaro

Decisão fixa multa de R$ 10 mil e obriga esclarecimento público após publicação simulando encontro inexistente em rede social

A legenda associava o ex-chefe do Executivo a supostos crimes de corrupção. Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados.

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Justiça do Distrito Federal determinou que o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) se abstenha de voltar a divulgar uma imagem criada por inteligência artificial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi proferida nesta sexta-feira (13) pela 7ª Vara Cível de Brasília no âmbito de ação indenizatória por danos à honra.

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Segundo os autos, a publicação foi feita em 1º de fevereiro na rede social X e simulava um encontro e uma relação de proximidade entre Bolsonaro, o ex-diretor do Banco Central Roberto Campos Neto e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A legenda associava o ex-chefe do Executivo a supostos crimes de corrupção.

A defesa sustenta que a montagem atingiu grande repercussão mesmo após a exclusão do conteúdo e a admissão do uso de tecnologia para criar a imagem.

O que decidiu a Justiça

A juíza substituta Patrícia Vasques Coelho entendeu haver probabilidade de ilegalidade e risco de dano contínuo à reputação do autor, ressaltando a velocidade de disseminação de conteúdos falsos em redes sociais.

Com isso, a magistrada concedeu tutela parcial e determinou:

  • proibição de republicar a imagem ou versões semelhantes sob pena de multa de R$ 10 mil por cada ato de descumprimento;
  • publicação, em todas as redes sociais e em até 24 horas, de nota reconhecendo que a imagem é falsa e produzida por inteligência artificial sob pena de multa diária de R$ 10.000,00 (dez mil reais), limitada, por ora, a R$50.000,00 (cinquenta mil reais).

A retratação, porém, não poderá seguir texto pré-definido por Bolsonaro. A magistrada considerou que obrigar o réu a repetir palavras redigidas pela parte autora violaria a liberdade de expressão, devendo a manifestação limitar-se à correção factual — isto é, declarar que o encontro não ocorreu.

Dados da postagem serão preservados

A Justiça também determinou o envio de ofício à plataforma X para preservar e fornecer dados de alcance da publicação, a fim de embasar eventual cálculo de danos.

Não houve designação de audiência de conciliação, e o parlamentar terá prazo de 15 dias para apresentar defesa.

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