Como foi o 1º dia do julgamento sobre royalties do petróleo no STF
Brasília, Segunda, 22 de junho de 2026
Justiça

Como foi o 1º dia do julgamento sobre royalties do petróleo no STF

Estados produtores falaram em risco de colapso fiscal, enquanto não produtores defenderam redistribuição mais ampla das receitas

Sessão plenária do STF
Foto: Luiz Silveira/STF

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Por Redação

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou na quarta-feira (6) o primeiro dia do julgamento que pode redefinir a divisão dos royalties do petróleo entre estados e municípios brasileiros. A disputa, que se arrasta há 13 anos, coloca em lados opostos os entes produtores, que alegam risco de colapso financeiro, e estados não produtores, que defendem uma redistribuição mais ampla dos recursos sob o argumento de equilíbrio federativo.

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Nesta quinta-feira (7), a Corte retoma a análise com o voto da relatora, a ministra Cármen Lúcia. Na sessão de ontem, os ministros ouviram as sustentações orais das partes envolvidas nas cinco ações que questionam a Lei 12.734/2012, aprovada pelo Congresso para ampliar a participação de estados e municípios não produtores na arrecadação do petróleo.

A legislação está suspensa desde 2013 por decisão liminar da própria Cármen, que manteve o modelo atual de distribuição. Hoje, estados e municípios produtores recebem as maiores fatias dos royalties: 26,5% para cada grupo. Já os fundos destinados aos não produtores ficam com 8,75%.

A lei aprovada pelo Congresso reduz a participação dos produtores e amplia significativamente os repasses aos demais entes da federação. Ao fim da transição prevista no texto, municípios produtores passariam a receber apenas 4% da arrecadação, enquanto os não produtores concentrariam 54% dos recursos.

Na abertura do julgamento, Cármen Lúcia classificou o caso como um dos mais sensíveis sob sua relatoria e explicou o intervalo de mais de uma década sem decisão definitiva. Segundo a ministra, houve sucessivos adiamentos motivados por tentativas de acordo entre governadores e articulações federativas.

“Esses processos vieram continuadamente sendo incluídos e excluídos do calendário de julgamento deste Supremo Tribunal”, afirmou a relatora ao citar pedidos feitos por governadores para ampliar as negociações.

Representando os estados produtores, procuradores de Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo defenderam que os royalties possuem natureza compensatória, já que as regiões produtoras enfrentam impactos ambientais, estruturais e econômicos decorrentes da exploração de petróleo.

O procurador do Rio de Janeiro, Gustavo Binenbojm, afirmou que a redistribuição prevista na lei pode causar perdas bilionárias e comprometer a sustentabilidade fiscal fluminense. “Para o estado do Rio de Janeiro e para os municípios fluminenses impactados, a subsistência dessa lei é simplesmente fatal”, declarou.

Segundo os cálculos apresentados no julgamento, o Rio concentra atualmente cerca de 84% dos royalties destinados aos estados produtores e pode perder aproximadamente R$ 9 bilhões anuais, além de impacto estimado em R$ 13 bilhões para os municípios.

A procuradora-geral de São Paulo, Inês Coimbra, afirmou que a redistribuição criaria um cenário de “soma zero”. “Poucos ganham muito pouco e outros perdem de forma significativa”, disse.

Já os estados não produtores sustentaram que o petróleo é patrimônio da União e, portanto, deve beneficiar todo o país. Um bloco formado por 20 estados e pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) propôs ao STF validar a lei de 2012 com aplicação imediata, mas adotando uma transição de sete anos e sem cobrança retroativa.

O advogado da CNM, Ricardo Hermany, criticou a concentração atual dos recursos. “Não podemos ter um único município com 212 mil habitantes receber mais do que 5,2 mil municípios, que representam 130 milhões de habitantes”, afirmou, em referência à cidade de Maricá, no Rio de Janeiro.

A Advocacia-Geral da União também se alinhou aos estados produtores e defendeu a inconstitucionalidade das mudanças aprovadas pelo Congresso. A AGU pediu que, caso o STF valide a nova divisão, sejam estabelecidas regras de transição para evitar impactos abruptos nas contas públicas.

Em 2025, os repasses de royalties e participações especiais somaram cerca de R$ 62,2 bilhões. O montante pode crescer nos próximos anos diante da expectativa de exploração de petróleo na Margem Equatorial.

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