Juiz dos EUA exige transparência em documentos sobre Filipe Martins
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Juiz dos EUA exige transparência em documentos sobre Filipe Martins

Corte investiga origem de registro migratório contestado

Filipe Martins
A audiência foi conduzida pelo juiz federal Gregory A. Presnell. Foto: Arthur Max/MRE

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O Tribunal Federal do Distrito Médio da Flórida determinou nesta quinta-feira (5) que o governo dos Estados Unidos apresente versões completas e sem cortes de documentos relacionados ao registro migratório que atribuiu ao ex-assessor presidencial Filipe Martins uma entrada no país no fim de 2022. A audiência foi conduzida pelo juiz federal Gregory A. Presnell.

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A ação foi movida por Martins contra o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). O ex-assessor questiona a autenticidade do registro que indicaria sua entrada nos Estados Unidos na mesma época em que o então presidente Jair Bolsonaro viajou ao país, no final de 2022.

Durante a audiência, o governo americano pediu o encerramento antecipado do processo por meio de julgamento sumário. O magistrado, no entanto, rejeitou a solicitação e decidiu manter o caso em tramitação, com a adoção de novas medidas para aprofundar a análise das informações.

Entre as determinações, o juiz ordenou que o governo entregue versões integrais — sem tarjas ou cortes — de documentos anteriormente apresentados ao processo. O material será examinado diretamente pelo tribunal em procedimento reservado.

Também foi determinado que as partes definam critérios para uma busca mais ampla por comunicações internas do governo americano, incluindo e-mails, memorandos e outros registros administrativos. O objetivo é identificar como o registro migratório contestado foi criado, quem participou do procedimento e em quais circunstâncias ele foi inserido nos sistemas oficiais.

Segundo a advogada de imigração Ana Bárbara Schaffert, que integra a defesa de Martins nos Estados Unidos, a audiência trouxe elementos relevantes sobre o caso.

“Ata da sessão registra que o registro de entrada atribuído a Filipe Martins nos sistemas migratórios ‘não deveria estar ali’”, afirmou a advogada.

Schaffert também destacou que o tribunal reconheceu a gravidade do episódio e o direito do ex-assessor de ter acesso às informações relacionadas ao caso.

“O juiz afirmou que Filipe Martins tem o direito legítimo de conhecer integralmente as informações relacionadas ao registro migratório que lhe causou graves prejuízos”, declarou.

A advogada afirmou ainda que as decisões representam um avanço no processo. “Essas determinações garantem ao tribunal acesso direto aos documentos completos e às comunicações internas da administração pública americana”, disse.

O registro migratório questionado foi citado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ao decretar a prisão preventiva de Martins em 2024, sob o argumento de risco de fuga. A defesa sustenta que o ex-assessor não deixou o Brasil naquele período e busca identificar a origem do dado que indicava sua entrada nos Estados Unidos.

Atualmente, Martins está preso no Paraná em razão de outro processo no STF relacionado à investigação sobre a chamada trama golpista.

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