Juiz é investigado por furto de champanhes em mercado
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Juiz Eduardo Appio é investigado por furto de champanhes em mercado de Blumenau

Quem é Eduardo Appio, juiz da Lava-Jato afastado pelo TRF-4

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Por Redação

TRF-4 abriu procedimento disciplinar após denúncia de que veículo em nome do magistrado foi usado no crime

O juiz federal Eduardo Appio, que tentou investigar a Lava-Jato será investigado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) após denúncia de furto de duas garrafas de champanhe Moët em um supermercado de Blumenau (SC).

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Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, cada garrafa custa R$ 540. O boletim de ocorrência foi registrado com base no relato de um segurança do estabelecimento, que informou que o autor do furto deixou o local em um veículo registrado em nome do magistrado.

Appio declarou desconhecer o caso e afirmou que a denúncia é “um boato infundado”. Disse ainda que tomará “providências legais contra qualquer tipo de boato com motivação política” e classificou o episódio como “fake news política”. Em seguida, apagou as mensagens publicadas sobre o assunto.

Fontes do TRF-4 confirmaram que a Corregedoria recebeu o ofício da Polícia Civil e instaurou procedimento para apurar os fatos. O tribunal informou que as investigações envolvendo magistrados correm em sigilo e que “todos os procedimentos cabíveis serão adotados”.

Quem é o juiz Eduardo Appio

Em 2023, Eduardo Appio foi afastado da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos remanescentes da Operação Lava Jato. A decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) ocorreu após a suspeita de que o magistrado teria feito uma ligação telefônica anônima para o filho do desembargador Marcelo Malucelli, João Eduardo Malucelli — sócio do ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União-PR). O episódio ocorreu depois de o desembargador determinar a volta à prisão do operador financeiro Rodrigo Tacla Duran, que havia acusado Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol de irregularidades.

A representação apresentada por Malucelli levou ao afastamento imediato de Appio, que teve o celular e o computador funcional apreendidos e o acesso às dependências da Justiça Federal suspenso. O juiz negou ter agido com má-fé e afirmou que era alvo de perseguição por criticar os métodos da Lava Jato.

Appio havia assumido o cargo em fevereiro de 2023, no lugar que fora ocupado por Moro no auge da operação. Appio contrariava à linha adotada pela força-tarefa e passou a questionar procedimentos e decisões tomadas na época da Lava Jato. Em entrevistas e petições encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o magistrado apontou o que classificou como “graves irregularidades” no TRF-4 e denunciou supostos abusos e ilegalidades praticados por integrantes da operação.

O embate com o grupo de Moro intensificou-se após essas manifestações. O senador chegou a afirmar que Appio “meteu os pés pelas mãos” ao se envolver no episódio do telefonema. Em julho de 2023, o TRF-4 abriu processo administrativo disciplinar contra o juiz e manteve seu afastamento.

Em outubro do mesmo ano, Appio firmou acordo de conciliação com o CNJ, reconhecendo que adotou um “meio inadequado” de conduta e desistindo de reassumir a Vara da Lava Jato. O processo disciplinar foi arquivado em janeiro de 2024.

Atualmente, o magistrado atua na 18ª Vara Federal de Curitiba, com competência em causas previdenciárias.

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