CEO do Digimais foi escolhido por Lula e Dilma
Brasília, Terça, 23 de junho de 2026
Política

CEO do Digimais foi escolhido por Lula e Dilma

Aldemir Bendine comandou Banco do Brasil e Petrobras antes de assumir banco alvo da PF e já foi preso na Lava Jato

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Por Redação

O presidente executivo do Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo e alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira (23), é Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras durante os governos do PT.

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Bendine foi escolhido pelo presidente Lula, em 2009, para comandar o Banco do Brasil. Anos depois, em 2015, foi nomeado pela então presidente Dilma Rousseff para assumir a presidência da Petrobras, em meio à crise provocada pelos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Hoje à frente do Digimais, o executivo volta ao centro das atenções após a instituição se tornar alvo da Operação Miragem, que apura suspeitas de fraude contábil, manipulação de balanços e crimes contra o sistema financeiro nacional.

Da confiança do PT ao comando das maiores estatais

Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Bendine construiu sua trajetória dentro da instituição até alcançar a presidência do banco estatal.

Sua ascensão ocorreu durante os governos petistas. No Banco do Brasil, permaneceu entre 2009 e 2015, período em que participou da política de expansão de crédito adotada pelo governo federal.

Em fevereiro de 2015, Rousseff o transferiu para a presidência da Petrobras. A nomeação ocorreu após o avanço das investigações da Lava Jato e a saída de Graça Foster do comando da estatal.

A missão de Bendine era conduzir a reestruturação administrativa da companhia e recuperar a confiança do mercado após a revelação dos esquemas de corrupção investigados pela força-tarefa.

Prisão e condenação na Lava Jato

A trajetória do executivo mudou em julho de 2017, quando ele foi preso na 42ª fase da Operação Lava Jato.

O Ministério Público Federal acusou Bendine de solicitar e receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht em troca de favorecimentos relacionados à Petrobras.

Segundo as investigações, ele era identificado pelo codinome “Cobra” em registros ligados ao setor de operações estruturadas da empreiteira.

Em 2018, Bendine foi condenado pelo então juiz Sergio Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Decisão do STF abriu precedente para outros casos

Em 2019, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal anulou a condenação.

O entendimento foi de que a defesa deveria ter apresentado suas alegações finais após os réus colaboradores. A decisão se tornou um marco jurídico por abrir precedente para a revisão de outros processos da Lava Jato.

Com a retomada da ação penal, Bendine voltou a ser condenado por corrupção.

Em 2021, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou a condenação por corrupção passiva e fixou pena de seis anos e oito meses de prisão.

Retorno ao mercado financeiro

Após os desdobramentos judiciais da Lava Jato, Bendine retornou ao setor privado.

Em dezembro de 2025, assumiu a presidência executiva do Banco Digimais após obter aprovação regulatória do Banco Central.

Nos bastidores do mercado financeiro, sua contratação foi associada à experiência acumulada em grandes instituições bancárias e ao trânsito construído ao longo dos anos em Brasília.

Meses depois de sua chegada ao comando do banco, a instituição entrou no radar da Polícia Federal.

Operação mira Digimais

A Operação Miragem investiga suspeitas de manipulação de demonstrativos financeiros, fraude contábil e envio de informações supostamente irregulares aos órgãos de fiscalização.

A apuração busca esclarecer se ativos teriam sido inflados artificialmente e se resultados financeiros teriam sido apresentados de forma incompatível com a situação patrimonial da instituição.

As medidas autorizadas pela Justiça incluem bloqueios de bens que podem alcançar R$ 670 milhões, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados.

O caso recoloca Aldemir Bendine no centro de uma investigação de grande repercussão nacional quase uma década após sua prisão na Operação Lava Jato.

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