Joesley Batista deve financiar filme sobre esposa de Trump
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Joesley Batista deve financiar filme sobre esposa de Trump

Projeto cinematográfico se soma a lobby político, doações e atuação internacional do dono da J&F

Joesley Batista na abertura de capital da JBS nos EUA

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Por Redação

O empresário Joesley Batista, controlador do grupo J&F, decidiu financiar um filme sobre a trajetória de Melania Trump, segundo apuração da Band. A iniciativa é tratada, nos bastidores, como parte de um movimento mais amplo de aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Segundo pessoas próximas ao empresário, o projeto é visto como um gesto direto de boa vontade à atual administração americana. A ideia de levar a história da primeira-dama às telas começou a ser discutida durante a campanha presidencial de 2024 e teve o investimento formalizado em 2025.

Melania Trump será primeira-dama pela segunda vez — Melania Trump será primeira-dama pela segunda vez — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz

Integrantes do governo dos EUA com atuação no Brasil confirmaram que o projeto já é de conhecimento das autoridades americanas. Fontes envolvidas nas tratativas afirmam que o cronograma está avançado e que a seleção do elenco deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano. A escolha dos protagonistas ficará sob responsabilidade de Melania, com aval direto do presidente.

O roteiro deve retratar a trajetória de Melania desde a juventude em Sevnica, na atual Eslovênia, onde nasceu como Melanija Knavs, passando pela carreira de modelo na Europa, a mudança para Nova York em 1996, o encontro com Trump em 1998, o casamento em 2005 e a chegada à Casa Branca. Pessoas próximas a Batista afirmam que ele não pretende interferir no conteúdo artístico, limitando-se ao financiamento da produção.

Doações, lobby e acesso à Casa Branca

A iniciativa no cinema se soma a uma relação já estruturada entre Batista e o governo Trump. No campo financeiro, a Pilgrim’s Pride, subsidiária da JBS nos Estados Unidos, doou US$ 5 milhões ao comitê de posse de Trump e do vice-presidente JD Vance, em janeiro de 2025. O valor foi a maior doação individual registrada para o evento.

No plano político, Joesley foi recebido por Trump na Casa Branca em setembro de 2025. Na pauta, estiveram tarifas comerciais e novos investimentos nos EUA, onde a JBS emprega mais de 70 mil pessoas. Interlocutores relatam que o diálogo contribuiu para a listagem da empresa na Bolsa de Nova York e para a recuperação do visto americano do empresário.

A articulação também envolve escritórios de advocacia e lobby com forte ligação ao presidente americano. A JBS mantém contratos com a Kasowitz Benson Torres, fundada por Marc Kasowitz, ex-advogado pessoal de Trump. A companhia também é assessorada por bancas como a Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan e a Baker & McKenzie, além da empresa de lobby Keys Group, especializada em políticas agrícolas e com conexões com o Partido Republicano.

Venezuela entra no radar

Nos últimos meses, Batista também passou a atuar como interlocutor informal em temas internacionais sensíveis. Em novembro de 2025, reuniu-se em Caracas com Nicolás Maduro, quando ainda estava no poder, e sugeriu a possibilidade de exílio na Turquia. A iniciativa foi descrita por veículos americanos como parte de uma tentativa de convencê-lo a deixar o cargo.

Já em janeiro de 2026, após a captura de Maduro, Joesley viajou novamente à Venezuela para se encontrar com Delcy Rodríguez. Segundo relatos, o encontro tratou da estabilidade do governo provisório, do apoio interno à nova gestão e de perspectivas de investimentos, especialmente nos setores de petróleo e gás. O empresário teria ido a Caracas em voo privado, partindo dos EUA e retornando no mesmo dia.

Os irmãos Batista mantêm interesses comerciais na Venezuela. De acordo com informações publicadas na imprensa, a J&F é dona de poços de exploração de petróleo no país desde 2024, além de atuar no setor de alimentos.

Bastidores diplomáticos

A atuação de Joesley ocorre em meio a movimentos recentes da Casa Branca, como a retirada de autoridades brasileiras do rol de sanções da Lei Magnitsky, decisão que gerou reação na oposição. Nos bastidores, a intermediação do empresário em temas envolvendo a Venezuela é apontada como um dos fatores considerados pelo governo americano.

Procuradas, a JBS e a assessoria de Joesley Batista não se manifestaram até a publicação deste texto.

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