Desde que o deputado André Janones (Avante-MG) confessou crime de rachadinha, o Partido dos Trabalhadores (PT), Lula, Eduardo Moreira e Paula Lavigne devem estar fazendo força para fingir que jamais o conheceram.
Outro motivo pelo qual não pega bem para Luiz Inácio Lula da Silva lembrar que um dos líderes de sua campanha presidencial de 2022 foi Janones é a cruzada contra a “desinformação”, na qual o presidente insiste.
Janones gabou-se em seu livro de ter produzido desinformação a favor de Lula durante a campanha. O deputado prometeu me processar por dizer isso há um ano e meio e não cumpriu a ameaça, pois sabe muito bem que produziu fake news para favorecer a eleição do populista.
Mas não esmoreçam, paladinos da cascata, guerreiros da groselha. O petismo já achou substituto para Janones: Pedro Rousseff, petista e sobrinho-neto de Dilma que foi eleito vereador de Belo Horizonte.
Dá para estocar vento com tanto ar quente de alegações sem substância
Pedro Rousseff, assim como o ex-amigo do petismo, força a amizade na hora de publicar alegações nas redes sociais.
“Quem acabou com a guerra em Gaza se chama Luiz Inácio Lula da Silva”, alegou o vereador em 14 de outubro de 2025, no X. Uma falsidade escancarada, obviamente. Ele foi corrigido com uma tarja do programa de checagem por consenso Notas da Comunidade: “Trump é apontado pelos principais órgãos de imprensa internacional, como o New York Times, como o intermediador da trégua entre Israel e Hamas”.
Até o ex-embaixador do governo de Joe Biden em Israel deu o crédito ao genro de Donald Trump pelas negociações que culminaram no cessar-fogo entre Israel e Hamas.
O site Community Notes Leaderboard, que compila as correções no programa de checagem do X, computou outras 26 vezes em que Pedro foi corrigido na rede social entre outubro de 2024 e setembro de 2025. É uma taxa de 2,2 falsidades corrigidas por mês.
Entre as patacoadas de Pedro, ele usou um “URGENTE” sensacionalista oito vezes, alegou em 9 de setembro que Jair Bolsonaro foi condenado a 43 anos de prisão, que a Itália “acaba de anunciar a extradição de Carla Zambelli para que ela comece a cumprir a pena de 10 anos de prisão” em 29 de julho, que a senadora Damares Alves estaria “na mira da PF” por “desvios milionários” em 19 de agosto, que Bolsonaro teria admitido “que tá com medo da prisão e quer fugir” em 19 de fevereiro, e usou um vídeo fora de contexto em novembro de 2024 para alegar que “dezenas de bolsonaristas estão na porta da Havan em São José dos Campos comemorando a vitória de Trump” — o vídeo era de uma manifestação em 2019 que pedia o impeachment do ministro Gilmar Mendes.
Comparando com o livro de Janones, que eu li, Pedro Rousseff é pior. Utilizando os mesmos métodos de contagem das Notas da Comunidade no X, é possível afirmar que o vereador sofre correções por desinformação a uma taxa nove vezes superior à taxa do deputado da rachadinha.
Categorizando as lorotas de Pedro, em 27% dos casos ele erra a identidade de alguém ou o local em que algo aconteceu, em 23% usa dados ou estatísticas incorretamente e em 11,5% aplica uma interpretação política ou jurídica falsa a algum acontecimento.
Pedro quer ser o Nikolas da esquerda
Após um encontro em julho com a tia-avó, a ex-presidente impichada Dilma Rousseff, que fracassou para cima se tornando diretora do banco dos BRICS, Pedro comunicou que pretende se tornar deputado federal em 2026.
Assim, o petista está seguindo os passos do adversário Nikolas Ferreira (PL-MG), o terror do governo Lula 3 nas redes sociais, que também começou sua carreira política na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Os dois mineiros têm menos de 30 anos, mas Pedro Rousseff, com 25, é quatro anos mais novo.
A comparação é feita pelo próprio Pedro Rousseff. Ele alegou que Dilma o vê “como uma figura anti-Nikolas Ferreira e que vai renovar nosso partido. Para além de arejar o PT, combater a extrema-direita também nas redes sociais”, disse o vereador à revista Veja.
O governo acusa Nikolas de “fake news” com frequência. Foi o caso no início do ano, quando desistiu do plano de passar o pente-fino da Receita Federal em todo brasileiro que superasse R$ 5 mil em movimentações via Pix. A retórica é de acusação de mentira, mas o recuo é um reconhecimento de que o deputado publicou verdades incômodas.
Como demonstrado acima, é muito mais fácil mostrar que o vereador petista publica inverdades. Nikolas Ferreira, no mesmo site de compilação das Notas da Comunidade, foi corrigido duas vezes. Treze vezes menos que Pedro Rousseff.
