Janja intensifica agenda com evangélicas
Brasília, Quinta, 16 de julho de 2026
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Janja intensifica agenda com evangélicas

Primeira-dama Janja intensifica encontros com mulheres evangélicas em várias cidades para discutir políticas públicas e aproximar o governo Lula de um segmento que hoje mostra alta exclusão à gestão petista.
Janja tenta aproximação de cristãos em nome do governo Lula com foco em 2026

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Por Redação

A primeira-dama já passou por cinco cidades em encontros com mulheres evangélicas; o momento é de alta rejeição do governo no segmento religioso

 

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A primeira-dama Janja Lula da Silva ampliou, nos últimos meses, sua agenda de viagens pelo país com foco em encontro com mulheres evangélicas. Desde julho, já esteve no Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Ceilândia Norte e, nesta terça-feira (30), em Caruaru (PE). A mobilização acontece em um cenário desafiador para o Planalto: pesquisa Datafolha indica que 52% dos evangélicos classificam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como ruim ou péssimo.

O encontro em Pernambuco foi organizado pela Igreja Família Viva e registrado por Janja em suas redes sociais, onde chamou a reunião de “potente” e ressaltou a troca de experiências, a força da fé e a união feminina. As imagens mostram a primeira-dama discursando em roda de conversa com participantes. “Juntas nos acolhemos e reafirmamos que, quando caminhamos lado a lado, a esperança se fortalece e a transformação acontece”, escreveu a socióloga.

Estratégia visa 2026

Os encontros contam com o apoio da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e buscam destacar como as políticas públicas do governo federal impactam a vida de mulheres e suas famílias. Entre os temas, estão saúde , combate à desigualdade, geração de renda e enfrentamento à pobreza menstrual. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, acompanhou Janja em algumas dessas agendas.

Além da pauta social, a transferência também tem caráter político. O Datafolha mostra que a atuação da primeira-dama divide opiniões: a aprovação do governo atingiu o pior índice de seus três mandatos à frente do Executivo. Em dois meses, a popularidade registrada pela pesquisa Datafolha caiu de 35% para 24%, no resultado divulgado em fevereiro. Em junho, 36% dos entrevistados disse que ela atrapalha mais do que ajuda o governo, 14% avaliam positivamente sua influência, enquanto 40% veem suas ações como neutras. Entre os católicos, o governo Lula foi considerado “ótimo ou bom” por 28% — em dezembro de 2024, eram 42%.

A aprovação dele entre evangélicos também diminuiu no período: passou de 26% para 21%. O levantamento entrevistou 2.007 eleitores em 113 municípios do Brasil nos dias 10 e 11 de fevereiro de 2025. A margem de erro é de três pontos porcentuais para católicos e de seis pontos porcentuais para evangélicos, para mais ou para menos.

Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 27 de janeiro, revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou uma exclusão significativa entre o público evangélico, segmentos que aparecem entre os que menos aprovam sua gestão. De acordo com o levantamento, apenas 37% dos entrevistados desse grupo avaliaram o governo de maneira positiva, enquanto 59% manifestaram desaprovação ao trabalho do petista. O dado reforça a dificuldade de Lula em dialogar com esse eleitorado, cuja influência tem crescido de forma consistente nos últimos anos. Especialistas apontam que a expansão desse grupo religioso no cenário populacional brasileiro pode representar um fator decisivo nas disputas eleitorais futuras, levantando preocupações dentro do governo quanto à previsão de uma eventual reeleição.

A estratégia adotada pelos petistas foi a de aproximação, que também é reforçada por Lula. Há cerca de dez dias, o presidente participou do podcast “Papo de Crente”, gravado no Palácio da Alvorada ao lado de Janja. No programa, afirmou que evitou comparecer a cultos para não dar uso político a espaços religiosos, defendendo que a fé não seja usada como palanque eleitoral. Janja, por sua vez, reiterou que seus encontros não têm caráter religioso, mas busca compreender os efeitos das políticas públicas, especialmente sobre mulheres negras e periféricas.

Essa agenda, portanto, se insere em uma tentativa mais ampla de governo de reconstrução de pontes com um setor historicamente sensível e estratégico: o eleitorado evangélico, hoje visto como majoritariamente crítico à gestão petista.

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