PT faz curso para se aproximar e entender evangélicos - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

PT faz curso para se aproximar e entender evangélicos

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

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Por Redação

“A Bíblia é o livro da classe trabalhadora”, diz a palestrante para membros do PT

Considerando um passado de menor aproximação com o eleitorado evangélico, o Partido dos Trabalhadores (PT), através de sua Fundação Perseu Abramo, iniciou um curso para entender e dialogar com esse grupo religioso. Segundo o Censo 2022, os evangélicos representam 27% da população brasileira, um salto significativo em relação aos 6,6% registrados em 1980, ano de fundação do partido.

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Com 775 inscritos, o curso “Fé e Democracia para a Militância Evangélica Brasileira começou com uma declaração da teóloga Angelica Tostes: “A Bíblia é o livro da classe trabalhadora”. Tostes ressaltou a presença de fiéis com suas Bíblias no cotidiano, seja no transporte público ou no celular.

A teóloga defende que a esquerda não pode ignorar um campo composto majoritariamente por pessoaspretas, pobres, feito com mulheres da periferia“. Ela enfatiza que a construção de pontes é essencial e não instantânea, usando a metáfora: “A gente precisa pensar que o diálogo não é um miojo. ‘Três minutos, dialoguei com os evangélicos’. Não.” Para a palestrante, o diálogo também não é uma “ambulância”, acionada apenas em momentos de desespero, mas sim uma “construção”.

Filha de ex-católicos que se converteram, Tostes compreende o crescimento dessa religião no Brasil. Ela explica que as igrejas evangélicas “são espaços que vão acolhendo essas pessoas e vão dando não só respostas de uma dimensão concreta, mas também existencial“. Por isso, a importância da religião para o povo brasileiro precisa ser reconhecida pelos companheiros e companheiras que não têm vivência religiosa.

O presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto mencionou um trabalho de mais de um ano para dar consciência para os nossos militantes, dirigentes, filiados, sobre a importância da religião na vida do povo brasileiro“. Uma cartilha lançada pelo PT em 2024 para orientar candidatos e militantes já abordava a necessidade de não rotular todos os evangélicos como “fundamentalistas“, evitando preconceito.

A deputada Benedita da Silva, decana evangélica entre os parlamentares petistas, enviou um testemunho gravado, incentivando seus colegas de partido a não se envergonharem do Evangelho de Cristo.

Entre os palestrantes do curso estão Valdinei Ferreira, pastor que enfrentou controvérsias em sua faculdade presbiteriana, e Sergio Dusilek, que renunciou à presidência da Convenção Batista Carioca após declarar que “a igreja evangélica tem que pedir perdão ao presidente Lula“. Esses nomes representam uma minoria progressista na liderança evangélica, com menor projeção em comparação a figuras como Silas Malafaia e Cláudio Duarte.

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