O Ministério das Relações Exteriores do Brasil pretende convocar novamente o encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar, para uma reprimenda diplomática. O motivo são as publicações da embaixada nas redes sociais que acusam o Brasil de censura, perseguição política e violação de direitos humanos, atribuindo essas ações, principalmente, ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
A embaixada comandada por Escobar escreveu que Moraes é o “principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro” e que suas “flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções pela Lei Magnitsky”, impostas pelo governo Donald Trump.
As postagens alertam que aliados de Moraes estão sendo monitorados e cobram para que ele “não seja apoiado nem facilitado” em sua conduta.
O ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções pela Lei Magnitsky, determinadas pelo presidente Trump. Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras… https://t.co/mKCsObZASP
— Embaixada EUA Brasil (@EmbaixadaEUA) August 7, 2025
O Itamaraty considera as manifestações da embaixada como “intromissões” em assuntos domésticos, o que viola o artigo 41 da Convenção de Viena, que proíbe diplomatas de se imiscuírem nos assuntos internos do país em que atuam.
O governo brasileiro, portanto, usará os canais diplomáticos para rebater o que considera uma interferência.
Se confirmada, esta será a quarta vez que Escobar é convocado desde o início do governo Trump. As convocações anteriores foram para tratar de temas como deportação de imigrantes, manifestações políticas e a carta que anunciava as tarifas.
Nesta quinta, Escobar se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin na sede do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A reunião aconteceu na mesma tarde em que as declarações da embaixada foram publicadas e um dia após o tarifaço entrar em vigor.
