O Exército de Israel afirmou ter atacado a alta liderança do grupo terrorista Hamas em Doha, no Catar, nesta terça-feira (10). A operação, que incluiu jatos israelenses, representa uma ação inédita sem permissão do país árabe e ocorre em meio a negociações de cessar-fogo mediadas pelo governo catariano.
Segundo o porta-voz do Exército israelense, a ofensiva, realizada em parceria com a agência de inteligência Shin Bet e a Força Aérea, teve como alvo membros da cúpula do grupo que se reuniam na capital catariana. O governo de Israel, por meio do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, confirmou que a ação foi “independente” e que assume total responsabilidade pelo ataque.
O governo do Catar classificou a ação como “covarde” e uma “flagrante violação de todas as leis e normas internacionais”, e afirmou que um membro de sua Força de Segurança Interna foi morto no ataque. Em resposta, o país suspendeu temporariamente seu papel como mediador das negociações de paz entre Israel e o Hamas.
A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de seu diretor-geral, António Guterres, também condenou o ataque, chamando-o de “violação da soberania territorial flagrante”.
Segundo uma fonte do Hamas ouvida pela emissora Al Jazeera, o ataque ocorreu durante uma reunião para discutir uma proposta de trégua apresentada pelo presidente americano, Donald Trump. Um funcionário da Casa Branca confirmou à agência de notícias Reuters que Trump foi avisado previamente sobre o ataque, embora Netanyahu tenha afirmado que a ofensiva foi “totalmente planejada e executada” apenas por Israel.
O Hamas afirmou que cinco de seus membros morreram na ofensiva, incluindo o filho do principal negociador, Khalil Al-Hayya, mas que os integrantes do alto escalão escaparam ilesos, algo não confirmado por Israel.
A ofensiva gerou reações em toda a região. A Arábia Saudita chamou a ação de “flagrante violação de soberania”, enquanto os Emirados Árabes Unidos apontaram que a segurança dos Estados do Golfo é “indivisível”. O ataque, por outro lado, recebeu aprovação de diferentes setores políticos em Israel.
