O Irã voltou a endurecer o discurso sobre seu programa nuclear e descartou qualquer possibilidade de restringir o enriquecimento de urânio, uma das principais exigências dos Estados Unidos nas negociações em curso para encerrar o conflito recente entre os dois países.
A posição foi reforçada nesta quinta-feira (9) pelo chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, Mohammad Eslami, em entrevista à agência estatal iraniana Isna.
Segundo ele, as tentativas de limitar o programa nuclear do país “não passam de ilusões”, sinalizando resistência a qualquer concessão nesse ponto.
As declarações ocorrem após o anúncio de uma trégua de duas semanas, mediada pelos EUA, que prevê o início de negociações formais neste fim de semana, no Paquistão. O tema nuclear é considerado o principal entrave para um acordo duradouro.
De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui atualmente mais de 400 quilos de urânio enriquecido a níveis de até 60%, percentual próximo do necessário para uso militar. Apesar disso, o órgão não confirmou que o país esteja desenvolvendo uma arma nuclear. Teerã sustenta que seu programa tem fins exclusivamente civis.
As exigências americanas incluem a interrupção do enriquecimento e a entrega do estoque de material nuclear. O presidente norte-americano, Donald Trump (Republicano), já afirmou que não aceitará a continuidade dessas atividades, enquanto autoridades de defesa dos EUA indicam que medidas mais duras podem ser adotadas caso não haja acordo.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que qualquer proposta que impeça o país de manter o enriquecimento inviabiliza tanto as negociações quanto um eventual cessar-fogo definitivo.
O atual impasse tem origem no enfraquecimento do Plano de Ação Conjunto Global, firmado em 2015. Após a retirada dos Estados Unidos do acordo, durante o primeiro mandato de Trump, o Irã ampliou progressivamente seu programa nuclear e reduziu o nível de cooperação com inspetores internacionais.
