Irã fecha parcialmente o Estreito de Ormuz durante negociações com os EUA
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Irã fecha parcialmente o Estreito de Ormuz durante negociações com os EUA

Medida temporária ocorre durante exercícios militares e aumenta tensão no Golfo Pérsico

Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Por Redação

O governo do Irã anunciou nesta terça-feira (17) o bloqueio temporário de trechos do Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte global de petróleo. A medida foi adotada por “razões de segurança” enquanto a Guarda Revolucionária realiza manobras navais na região.

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Segundo meios de comunicação oficiais iranianos, a interrupção é limitada e deve durar apenas algumas horas, tempo necessário para simular ameaças marítimas e garantir a navegação segura durante os exercícios. O canal liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é responsável pela passagem diária de cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta.

Negociações nucleares

O fechamento ocorre paralelamente à retomada das conversas indiretas entre Estados Unidos e Irã em Genebra, mediadas por Omã. Washington pressiona por restrições amplas ao programa nuclear iraniano, enquanto Teerã admite negociar apenas aspectos ligados ao enriquecimento de urânio e pede a retirada das sanções econômicas.

O presidente Donald Trump afirmou acreditar que um acordo é possível, mas voltou a ameaçar consequências caso não haja entendimento. Nas últimas semanas, os EUA ampliaram a presença militar no Golfo, enviando navios de guerra e grupos de porta-aviões para a área.

Do lado iraniano, o líder supremo Ali Khamenei reagiu dizendo que Washington não conseguirá derrubar a República Islâmica e advertiu que até “o exército mais forte do mundo pode levar um golpe do qual não consiga se levantar”.

Divergências sobre o programa nuclear

As posições permanecem distantes. Os EUA defendem o fim do enriquecimento de urânio e restrições ao programa de mísseis e ao apoio iraniano a grupos armados regionais. Teerã sustenta que seu projeto é civil e afirma aceitar inspeções internacionais, desde que as sanções sejam suspensas.

Dados da Agência Internacional de Energia Atômica indicam que o país possui centenas de quilos de urânio enriquecido a níveis próximos do necessário para armamento — ponto que alimenta temores de Israel e de aliados ocidentais. O governo iraniano nega intenção de produzir armas nucleares.

Risco para o mercado global

Autoridades iranianas já ameaçaram fechar totalmente o estreito em caso de ataque. Um bloqueio prolongado poderia interromper grande parte do comércio marítimo de petróleo e provocar forte alta nos preços internacionais.

Apesar da retórica agressiva e da movimentação militar, diplomatas afirmam que houve avanços iniciais nas negociações em Genebra, indicando que o diálogo segue aberto mesmo sob um clima de escalada estratégica no Oriente Médio.

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