Inspeções da ONU estão suspensas desde ofensiva
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, declarou nesta quinta-feira (26) que Teerã continuará com seu programa de enriquecimento de urânio, mesmo diante das ações ofensivas dos Estados Unidos e de Israel.
Em entrevista coletiva concedida em Brasília, Nekounam reiterou que o país persa não reconhece a legitimidade das pressões ocidentais e seguirá desenvolvendo sua política nuclear com base em interesses nacionais.
“Nossas conquistas foram feitas enquanto países ocidentais e EUA nos proibiram. Portanto, não fazemos questão e não é importante para nós se eles proíbem. Seguimos firmemente nossos desejos e interesses”, afirmou o diplomata.
Segundo Nekounam, os ataques contra o programa nuclear iraniano não se limitam a uma disputa bilateral.
“O nível desse diálogo não é somente sobre o conflito entre dois países, é algo global”, disse, destacando que o Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), ao contrário de Israel, que possui bombas nucleares mas nunca aderiu ao tratado.
O representante do regime dos aiatolás insistiu que o projeto atômico de Teerã tem fins pacíficos, voltado para áreas como a geração de energia, produção de radiofármacos e uso na indústria farmacêutica.
“Na mesma medida em que nos afastamos das armas nucleares, buscamos com todo o nosso poder usar nossos direitos nucleares dentro da estrutura do TNP”, afirmou.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apontou, em relatório divulgado em maio, que o Irã não tem cumprido obrigações previstas no tratado, o que levou o conselho da agência a emitir um alerta formal. Desde então, o regime iraniano passou a restringir ainda mais a atuação da AIEA e suspendeu inspeções externas.
Nekounam confirmou que os acessos estão suspensos, mas se esquivou de comentar sobre a possível saída do Irã do TNP ou o fechamento do estreito de Hormuz, ameaças feitas por membros do Parlamento iraniano. Ele afirmou não estar ciente de qualquer documento oficial sobre essas medidas.
