Irã desafia EUA e seguirá enriquecendo urânio - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Mundo

Irã desafia EUA e seguirá enriquecendo urânio

Compartilhe em

Foto do autor

Por Adrian Almeida

Inspeções da ONU estão suspensas desde ofensiva

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, declarou nesta quinta-feira (26) que Teerã continuará com seu programa de enriquecimento de urânio, mesmo diante das ações ofensivas dos Estados Unidos e de Israel.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Em entrevista coletiva concedida em Brasília, Nekounam reiterou que o país persa não reconhece a legitimidade das pressões ocidentais e seguirá desenvolvendo sua política nuclear com base em interesses nacionais.

Nossas conquistas foram feitas enquanto países ocidentais e EUA nos proibiram. Portanto, não fazemos questão e não é importante para nós se eles proíbem. Seguimos firmemente nossos desejos e interesses”, afirmou o diplomata.

Segundo Nekounam, os ataques contra o programa nuclear iraniano não se limitam a uma disputa bilateral.

O nível desse diálogo não é somente sobre o conflito entre dois países, é algo global”, disse, destacando que o Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), ao contrário de Israel, que possui bombas nucleares mas nunca aderiu ao tratado.

O representante do regime dos aiatolás insistiu que o projeto atômico de Teerã tem fins pacíficos, voltado para áreas como a geração de energia, produção de radiofármacos e uso na indústria farmacêutica.

Na mesma medida em que nos afastamos das armas nucleares, buscamos com todo o nosso poder usar nossos direitos nucleares dentro da estrutura do TNP”, afirmou.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apontou, em relatório divulgado em maio, que o Irã não tem cumprido obrigações previstas no tratado, o que levou o conselho da agência a emitir um alerta formal. Desde então, o regime iraniano passou a restringir ainda mais a atuação da AIEA e suspendeu inspeções externas.

Nekounam confirmou que os acessos estão suspensos, mas se esquivou de comentar sobre a possível saída do Irã do TNP ou o fechamento do estreito de Hormuz, ameaças feitas por membros do Parlamento iraniano. Ele afirmou não estar ciente de qualquer documento oficial sobre essas medidas.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade