Instituto bancado pela Usaid financiou ação contra 'extremismo político' no Telegram - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Instituto bancado pela Usaid financiou ação contra ‘extremismo político’ no Telegram

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Por Claudio Dantas

Alexandre de Moraes, quando bloqueou o X, alegou que Elon Musk violava a nossa soberania ao não cumprir as ordens secretas expedidas pelo ministro. O mesmo Alexandre de Moraes firmou, em 9 de setembro de 2022, ‘memorando de entendimento’ com uma tal Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES), que, agora, sabemos ser financiada pela USAID. Não só: a organização também é patrocinada pelo Departamento de Estado dos EUA e por outras agências e governos estrangeiros.

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O memorando de entendimento assinado por Moraes e o diretor da IFES para a América Latina, Máximo Zaldivar, previa a “promoção de atividades conjuntas com foco na análise e no aprimoramento do sistema eleitoral brasileiro”, com ambas as partes se comprometendo a “promover a democracia eleitoral participativa e inclusiva no Brasil, em conformidade com a Constituição Federal, a legislação eleitoral e as normas internacionais”.

Ah sim, TSE e IFES reconheciam, no documento, “a importância de que a tecnologia e os processos eleitorais sejam seguros e precisos para fomentar confiança aos resultados das eleições”.

A parceria com essa organização internacional tão preocupada com a democracia alheia não é de hoje. Em 2021, o TSE ajudou a IFES na elaboração de um “Guia de Combate à Desinformação”, iniciativa tocada por um obscuro Consórcio para Eleições e Fortalecimento do Processo Político (CEPPS). Em reportagem no site da Justiça Eleitoral, o guia é descrito como uma “união global de medidas exitosas pelo enfrentamento do problema e pelo incentivo à integridade da informação, sendo direcionada a profissionais, sociedade civil e órgãos governamentais que trabalham com essa questão”.

Na cerimônia de lançamento do guia, o assessor internacional do TSE, José Gilberto Scandiucci Filho, celebrou a criação pelo tribunal, em 2020, de uma “força-tarefa multissetorial para o combate à desinformação, com a participação de plataformas sociais, mídia tradicional, sociedade civil e governos locais”. Embrião da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, o gabinete paralelo que Moraes usou para perseguir perfis de direita e vasculhar a vida de cidadãos comuns.

Sem corar, Scandiucci sugeriu que a iniciativa fosse replicada em outros países, devido à sua eficiência. “Aqui, tudo foi feito a partir do gabinete do presidente, a quem essa equipe deveria reportar diretamente. Isso torna o processo mais ágil e evita a burocracia”, disse. De acordo com Luís Roberto Barroso, então presidente do TSE, o objetivo era evitar “a disseminação de notícias falsas, não com o controle de conteúdo, mas com esclarecimento, consciência crítica e informação de qualidade”.

Em 2023, a IFES resolveu financiar pesquisas no Brasil e recrutou o Internetlab, formado por especialistas alinhados à pauta esquerdista, com o objetivo de pesquisar “a dinâmica da campanha permanente em grupos extremistas no Telegram no Brasil”. “O projeto visa preencher a lacuna na compreensão de campanhas políticas em aplicativos de mensagens e fornecer uma análise de atores maliciosos e ecossistemas de desinformação em preparação para o próximo período eleitoral no Brasil.”

ATÉ INSTITUTO REPUBLICANO RECEBE VERBA DA USAID

O IFES integra o tal Consórcio para Eleições e Fortalecimento do Processo Político (CEPPS) ao lado do Instituto Republicano Internacional (IRI) e do Instituto Nacional Democrático para Assuntos Internacionais, tudo financiado e supervisionado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O IRI é alvo de várias denúncias de interferência em assuntos internos de outros países, inclusive no golpe de 2004 no Haiti.

A diretoria técnica do CEPPS inclui David Black, da USAID; Brett Barrowman, do IRI, e Kat Duffy, da Internews. Esta última é citada por Eli Vieira em seu artigo de sábado como a organização preferida da agência americana para manipular notícias. Desde 2008, a Internews recebeu quase meio bilhão de dólares da USAID para interferir na cobertura de mais de 4 mil veículos de comunicação, produzindo em um ano 4.799 horas de televisão e rádio que atingiram 396 milhões de ouvintes e 382 milhões de telespectadores. A ONG também “treinou” mais de 9.000 jornalistas até 2023, segundo o WikiLeaks.

Outros 270 milhões de dólares foram injetados pela USAID na Open Socieaty, de George Soros, que, por sua vez, financiou dezenas de organizações sociais, jornalistas e até políticos no Brasil. O mesmo ocorreu com outras fundações, como a Ford, que banca, por exemplo, o NetLab, grupo especializado em produzir conteúdos pseudo-científicos sobre a atuação da direita nas redes sociais. Assim como a Fundação Rockefeller, que financia iniciativas de “proteção da Amazônia” e a atualíssima “Aliança Global contra a Fome e a Pobreza”, lançada no Rio durante a cúpula do G20 e que tem Janja como embaixadora informal.

CPI DA USAID

No Brasil, os deputados Gustavo Gayer e Eduardo Bolsonaro coletam assinaturas para a instalação da CPI da USAID. A iniciativa é impulsionada pelas denúncias do governo de Donald Trump contra a agência, que, segundo ele, era “administrada por um bando de lunáticos radicais”. Essas denúncias ganharam tração por aqui depois da entrevista em que Michael Benz, ex-chefe de informática do Departamento de Estado dos EUA no primeiro governo Trump, disse que a Usaid foi usada para impedir a vitória de Jair Bolsonaro em 2022.

Segundo Benz, a USAID enxergava Bolsonaro como uma ameaça, “um Trump tropical”, e financiou diversas iniciativas para monitorar informações e restringir conteúdos favoráveis ao ex-presidente ou desfavoráveis a Lula. Ele não apresentou evidências, mas a parceria firmada por Moraes com o IFES parece um bom ponto de partida para a investigação parlamentar.

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