Indígenas da região da Aldeia Trocará interditaram totalmente, desde a madrugada de segunda-feira (22), um trecho da rodovia Transcametá (BR-422), no km 19, e afirmam que só irão liberar a via após a entrega de caminhonetes prometidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o avanço de demandas previstas em acordo ambiental. As informações são do portal Sistema Floresta News.
A rodovia segue completamente bloqueada desde por volta das 5h da manhã, em um protesto que também reivindica melhorias nas estradas de acesso às aldeias e o cumprimento de compromissos firmados no âmbito do Plano Básico Ambiental (PBA).
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) permanece no local acompanhando a manifestação, atuando na segurança dos envolvidos e na orientação dos motoristas, além de intermediar o diálogo entre os indígenas e o governo federal.
Segundo lideranças ouvidas pela reportagem, uma videoconferência foi realizada ao longo do dia com representantes do DNIT, mas as propostas apresentadas não avançaram no sentido esperado pela comunidade.
O cacique Pirá Asurini afirmou que a principal exigência é a presença presencial de representantes do órgão na aldeia para tratar diretamente das pendências.
“Nada foi resolvido ainda, né? Porque o nosso objetivo é conversar com o DNIT, né? Eles fizeram umas coisas básicas pra gente, mas o que a gente tá reivindicando hoje são as caminhonetes que eles prometeram e até hoje não deram”, disse.
Segundo ele, a comunidade considera que há um acúmulo de reuniões sem encaminhamentos concretos. “Reunião em cima de reunião não resolve. Nós temos limite de conversa. A gente só vai liberar a BR se o representante do DNIT comparecer aqui e trouxer uma resposta que resolva o nosso problema”, afirmou.
Os manifestantes também alegam que a rodovia corta diretamente o território indígena e defendem que as reivindicações são antigas e recorrentes.
“Essa BR aqui corta a minha reserva no meio. Todo mundo tem direito de reivindicar o que quer. Nós estamos reivindicando o nosso direito”, declarou o cacique.
Durante o bloqueio, os indígenas informam que apenas veículos em situações de emergência médica estão sendo liberados para passagem. Não há previsão para a liberação total da via.
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