Imprensa cai como patinho, mais uma vez, em propaganda do Hamas - Claudio Dantas
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
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Imprensa cai como patinho, mais uma vez, em propaganda do Hamas

Capa do editorial do veículo The Free Press com crítica à credulidade do resto da imprensa que reproduz propaganda do Hamas. Foto: Reprodução/The Free Press
Capa do editorial do veículo The Free Press com crítica à credulidade do resto da imprensa que reproduz propaganda do Hamas. Foto: Reprodução/The Free Press

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Israel merece escrutínio internacional por suas ações militares na Faixa de Gaza, que estão acontecendo desde o início de sua resposta ao ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023.

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Hoje, por exemplo, o governo israelense precisou se desculpar por um bombardeio ao Hospital Nasser, que deixou pelo menos 20 mortos, entre eles possivelmente cinco jornalistas. Líderes da ONU, Reino Unido, França e Alemanha condenaram o bombardeio.

“Israel lamenta profundamente o incidente trágico que ocorreu hoje”, disse uma nota do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, reproduzida pelo Ministério das Relações Exteriores do país. “Israel valoriza o trabalho de jornalistas, profissionais médicos e todos os civis”, continua a nota. “As autoridades militares estão conduzindo uma investigação aprofundada”.

“A nossa guerra é contra os terroristas do Hamas”, conclui o governo. “Nossas metas justas são a derrota do Hamas e o resgate dos reféns”.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) negaram que têm jornalistas como alvo.

Propaganda anti-Israel se aproveita de crianças doentes

No mês passado, relatamos neste portal que um menino foi cuidadosamente selecionado, com edições desonestas de fotos, pela propaganda pró-Hamas. Ele sofre de um problema genético que faz parecer que passa fome.

Na semana passada, a publicação The Free Press, um dos principais projetos de jornalismo da plataforma de newsletters Substack, mostrou que o problema é ainda maior.

As jornalistas Olivia Reingold e Tanya Lukyanova investigaram fotos de gazenses com aparência esquálida que viralizaram nas críticas a Israel por supostamente deixar a fome afetar o enclave, inclusive em importantes veículos de comunicação ocidentais como o New York Times, CNN, Los Angeles Times, The Telegraph, The Guardian, Reuters, BBC e The Washington Post. Das pessoas mostradas nas 12 fotos, a maioria era de crianças.

Elas concluíram que todos os retratados “têm problemas de saúde importantes” que não foram informados no uso das imagens. As crianças nas fotos “estavam ou doentes ou à beira da morte quando suas imagens circularam online, de acordo com reportagens locais em língua árabe”.

Entre os problemas não relacionados à fome ou desnutrição estão paralisia cerebral, insuficiências do sistema imunológico, malformação do esôfago e danos no cérebro. Há, também, condições misteriosas relatadas pelos próprios pais.

As próprias autoras da investigação afirmam que há fome em Gaza e replicam informações da Organização Mundial da Saúde, segundo a qual morreram 63 pessoas por desnutrição no mês passado, inclusive 25 crianças.

Mas há algo de ardiloso no uso das 12 pessoas mostradas nas imagens, não só na mentira por omissão sobre problemas pré-existentes de saúde, mas com o tipo de texto que as acompanha, que geralmente atribui a culpa completamente a Israel. Não faltam, em Gaza, relatos e imagens de que o Hamas e outros grupos terroristas roubam alimentos da ajuda humanitária.

Vieses por toda parte

Bari Weiss, a fundadora do Free Press e ex-editora de opinião do New York Times, é assumidamente uma sionista.

Mas antes que alguém dispense a investigação publicada pelo veículo, é importante saber que as revelações levaram a correções nas reportagens criticadas, às vezes até correções silenciosas – uma prática antiética, mas comum no jornalismo de hoje.

“Como é que jornalistas falharam em fazer o escrutínio das informações que vêm de uma zona de guerra com um grupo terrorista ativo conduzindo guerra informacional?”, perguntou o Free Press em um editorial sobre a repercussão da reportagem.

Entre as correções, a CNN fez uma atualização de reportagem relatando “novas informações sobre a condição de alguns dos retratados”, o Washington Post emitiu um erratum confessando ter usado “incorretamente” uma foto com mais de um ano para cobrir a fome atual em Gaza, e o Guardian, conhecido por opiniões ridículas de seus colunistas progressistas, fez uma edição silenciosa para informar que uma criança tem paralisia cerebral.

“Em tempos normais”, continuou o veículo simpático a Israel, “esse é o tipo de trabalho que teria sido elogiado por nossos pares por revelar a verdade. Mas não vivemos em tempos normais”.

The Free Press criticou jornalistas por dizerem que sua cobertura crítica das informações vindo de Gaza é “nojenta”, como colocou Krystal Ball, uma repórter progressista. O veículo acusou o jornalista Glenn Greenwald, um ativista da liberdade de expressão no padrão americano, de pedir por censura.

“Eles deveriam ser julgados em Haia”, disse Greenwald, no X, descontente com a cobertura do veículo, que de sua parte viu o comentário como um chamado por censura.

Após críticas, o jornalista da Vaza Jato e da Vaza Toga 1 esclareceu que estava falando “hiperbolicamente”, “mais pelo nojo do que pela razão”. “Mas eu de fato vejo o Free Press como parte do esforço de guerra israelense”, voltou a alfinetar.

A situação das pessoas nas 12 imagens “é trágica o suficiente”, afirmou o editorial. “como o é o horror da guerra em si. Mas o pânico a respeito da nossa investigação não é sincero, é estratégico. Eles pensam que, se fizerem nossas repórteres de exemplo [pela intimidação], ninguém mais vai ousar fazer perguntas desconfortáveis”.

“Perguntas como: se há uma campanha deliberada de imposição de fome, por que nossas repórteres descobriram que muitas dessas crianças estão recebendo tratamento médico, e algumas delas já foram levadas de avião para fora de Gaza para buscar tratamento com a ajuda de Israel?”

“Se essas imagens são representativas do gazense médio, então por que nossas repórteres conseguiram encontrar históricos complicados por trás da primeira dúzia de imagens que investigaram? Se esses críticos são tão apaixonados pela precisão jornalística, por que reclamam de adicionar contexto básico a matérias jornalísticas?”

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