Jader Barbalho sobre recursos: “dinheiro não chega na ponta”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Jader Barbalho sobre recursos: “dinheiro não chega na ponta”

O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, afirmou nesta terça (4), que os municípios brasileiros ainda não têm estrutura nem recursos para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, afirmou nesta terça (4), que os municípios brasileiros ainda não têm estrutura nem recursos para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Foto: site Jader Barbalho

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Por Redação

Ministro das Cidades reclama de falta de recursos e mostra falhas técnicas para obras climáticas

O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, afirmou nesta terça (4), que os municípios brasileiros ainda não têm estrutura nem recursos para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

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Durante o Fórum de Líderes Locais da COP30, no Rio, o ministro criticou a concentração de verbas em grandes centros urbanos e disse que a falta de capacidade técnica impede que obras fundamentais saiam do papel.

“O dinheiro, se não chegar na ponta, esquece, não vai ter infraestrutura. E a gente vai continuar vendo cenas como as que temos visto repetidamente no mundo”, afirmou o ministro, citando como exemplos recentes as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca na Amazônia.

Segundo Barbalho Filho, o Brasil dispõe de recursos e o governo selecionou recentemente projetos que somam US$ 25 bilhões (cerca de R$ 135 bilhões) em obras de drenagem, mobilidade urbana e contenção de encostas. No entanto, a execução ainda é travada pela burocracia e pela falta de projetos técnicos bem estruturados nas prefeituras.

“Os recursos acabam ficando só nos grandes municípios, porque têm engenheiros, técnicos, estrutura. E isso não resolve o problema”, disse o ministro. “Muitas vezes o dinheiro existe, mas o projeto não está estruturado para a obra acontecer.”

Fórum de Líderes Locais da COP30
Fórum de Líderes Locais da COP30. Foto: Consórcio Nordeste

O evento reuniu mais de 300 prefeitos, gestores e especialistas internacionais para debater soluções locais contra os efeitos da crise climática.

Durante o painel, a prefeita de Abaetetuba (PA), Francineti Carvalho, reforçou a queixa sobre a falta de apoio técnico, afirmando que muitos municípios da Amazônia “não têm sequer um engenheiro no quadro funcional”.

Segundo ela, as exigências para o acesso aos recursos deveriam ser “mais flexíveis” para garantir a equidade entre cidades grandes e pequenas.

“Existem, financeiramente, muitos recursos. Por que será que os municípios não acessam? Falta de capacidade técnica. Na Amazônia, há cidades sem engenheiro. As exigências não respeitam a realidade de cada região”, declarou.

O ministro das Cidades defendeu que o tema climático deve ser enfrentado a partir das cidades, onde vive 82% da população brasileira e onde estão concentradas 80% das emissões globais. Ele também destacou que o setor privado precisa participar mais ativamente no financiamento das obras.

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, afirmou que o enfrentamento da crise climática exige “mobilização total” de governos e empresas. “Precisamos preparar as cidades para serem resilientes a desastres naturais. Toda semana, alguma cidade sofre um desastre. É por isso que queremos mobilizar o capital privado”, disse.

 

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