As chamas atingiram oito torres no distrito de Tai Po e deixaram centenas de desaparecidos
O maior incêndio registrado em Hong Kong há mais de 30 anos escancarou falhas de segurança e colocou em xeque práticas tradicionais na construção civil da cidade.
O fogo, que atingiu na quarta-feira (26) um complexo de oito arranhões-céus no distrito de Tai Po, deixa até o momento 83 mortos, 72 feridos e quase 300 desaparecidos, segundo balanço atualizado pelas autoridades locais na tarde desta quinta-feira (27).
A tragédia ocorreu dramaticamente à medida que equipes de resgate começaram operando em altas temperaturas e enfrentaram dificuldades para acessar apartamentos em andares superiores.
Entre as vítimas fatais é um bombeiro que atuava no combate às chamas. “O calor intenso impede o avanço seguro das equipes”, destacou um porta-voz do Departamento de Bombeiros.
O impacto da tragédia fez com que o governo fechasse rodovias, isolasse quarteirões e mobilizasse centenas de bombeiros e policiais para conter o incêndio, que, segundo testemunhas e especialistas, se retirasse rapidamente por andaimes de bambu cobertos por telas de proteção protegidas ao padrão de segurança.
Três pessoas ligadas à construtora responsável pela reforma do condomínio, a Prestige Construction & Engineering Company, foram presas por suspeita de homicídio culposo. Uma investigação preliminar aponta negligência na escolha e instalação dos andaimes e coberturas.
A polícia recolheu documentos na sede da empresa e afirmou que “há garantias claras do descumprimento de normas básicas e de risco no trabalho”, segundo a superintendente Eileen Chung.

O uso de andaimes de bambu, tradição centenária, está na mira das autoridades após diversos acidentes recentes. Entre 2019 e 2024, foram 22 mortes relacionadas ao método. No mesmo período, pelo menos três incêndios ocorreram em relação direta com o material, de acordo com associações de vítimas.
Questionamentos sobre o incêndio em Hong Kong
O incêndio de Hong Kong revive questionamentos surgidos em 1996, quando um desastre semelhante matou 41 pessoas e levou à revisão das normas de construção para prédios altos. Mesmo com avanços, o episódio atual revela persistência de riscos e pressiona as autoridades para acelerar mudanças.
Moradores relatando falta de rotas de fuga e demora na resposta às primeiras chamadas de socorro. “Esperamos que desta vez o governo realmente fiscalize e mude as regras, para evitar que tantas famílias sofram de novo”, declarou uma sobrevivente à imprensa local.
As equipes seguem em busca de desaparecidos, enquanto familiares aguardam notícias do lado de fora do complexo. As autoridades prometeram apoio às vítimas e revisão urgente dos protocolos de segurança para edifícios e obras em andamento.
