O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou hoje (29) que deixará o comando da pasta em fevereiro. Segundo ele, a data exata da saída e a definição do sucessor dependem de alinhamento com o Lula.
“Eu não posso dar uma data sem combinar com o presidente, mas ele está informado que eu devo sair em fevereiro, com certeza. Agora a mesma coisa vale para quem ficar no meu lugar, é dever do presidente anunciar”, afirmou Haddad em entrevista ao portal Metrópoles.
O ministro disse que a decisão já foi discutida com Lula. “No mês de fevereiro com certeza, [vou] deixar o governo em fevereiro. A mesma coisa vale para quem vai ficar no meu lugar. Isso é papel do presidente anunciar e não eu antecipar uma decisão que ele tomou. A gente conversou já sobre o assunto”, declarou.
Sucessão na Fazenda
Haddad voltou a citar o secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, frequentemente mencionado como possível sucessor, mas ressaltou que a escolha cabe exclusivamente ao presidente.
“O Dario é uma pessoa que trabalhou na Casa Civil, trabalhou na prefeitura de São Paulo na minha gestão, e no Ministério da Fazenda. Ele sempre esteve alinhado a governos progressistas e traz (do mercado privado) um conhecimento de setores relevantes da economia mundial”, disse.
Em outro momento, reforçou as credenciais técnicas do auxiliar. “Ele [Dario Durigan] tem um conhecimento realmente abrangente. É uma pessoa de formação muito sólida. Agora, a prerrogativa, óbvio, é do presidente e é natural que outras pessoas se coloquem também. Dentro do PT tem muita gente que pode se colocar”, afirmou.
Balanço da gestão
Ao avaliar sua passagem pela Fazenda, Haddad afirmou que assumiu o ministério em um cenário fiscal adverso e destacou medidas para reequilibrar as contas públicas.
“Herdamos uma situação fiscal muito difícil. Fomos cortando, cortando e chegou um ponto em que conseguimos fechar as contas. Essa redução de 70% do déficit se deve muito ao corte de gasto tributário e à limitação do crescimento da despesa”, disse.
O ministro voltou a responsabilizar o governo anterior pelo quadro encontrado. “E quem teve que consertar foi o presidente Lula e a sua equipe econômica”, afirmou.
Haddad também citou a aprovação da reforma tributária em 2023 como um dos principais marcos da gestão e mencionou indicadores econômicos recentes, como inflação acumulada, taxa de desemprego e desempenho da Bolsa.
Juros e dívida
O ministro minimizou críticas ao crescimento da dívida pública federal, que encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões. Para Haddad, a redução da taxa básica de juros é central para estabilizar o endividamento.
“A taxa de juros, que vai começar a cair, está em um patamar incompatível com a estabilidade da dívida”, afirmou, após o Copom manter a Selic em 15% ao ano, com sinalização de possível corte na próxima reunião.
Apesar das especulações sobre seu futuro político, Haddad tem reiterado que não pretende disputar eleições. Ele afirmou que deve contribuir para a campanha de reeleição do presidente Lula. Nos bastidores, seu nome segue citado para disputas em São Paulo ou para coordenação da campanha presidencial.
Ao menos 20 ministros devem deixar o governo até o início de abril, prazo legal para desincompatibilização de quem pretende concorrer nas eleições de outubro.
