“Há uma invasão de prerrogativas”, diz Marinho sobre os três Poderes - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

“Há uma invasão de prerrogativas”, diz Marinho sobre os três Poderes

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Por Adrian Almeida

Líder da oposição denuncia aparelhamento do Judiciário

O senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado, acusou o STF de ter ultrapassado os limites constitucionais e se transformado em um agente político a serviço da esquerda. Em entrevista à Revista Oeste nesta quinta-feira (5), Marinho conversou sobre diversos assuntos e afirmou que o Brasil vive um desequilíbrio institucional, além de um Congresso Nacional enfraquecido pelo pragmatismo e pela fragmentação partidária, que foi herdada da redemocratização.

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Há uma invasão de prerrogativas, isso é muito perceptível. A população infelizmente perdeu a confiança nas instituições”, disse o senador.

Segundo ele, essa transformação enfraquece o devido processo legal e compromete a segurança jurídica no país.

Marinho também denunciou o uso político do foro privilegiado, instrumento que, segundo ele, deixou de proteger o exercício do mandato e passou a servir como forma de pressão sobre parlamentares.

Hoje virou moeda de chantagem. Recados pela imprensa, ameaças de inquéritos. isso é deletério”, alertou.

O parlamentar defendeu o fim do foro nos moldes atuais, apontando para casos em que o Supremo tem julgado políticos sem observar o princípio do duplo grau de jurisdição.

Sobre o julgamento de manifestantes do 8 de janeiro, o senador foi direto e disse que houve prisão em massa. Ele lembrou que têm pessoas presas há dois anos por simplesmente pintar uma estátua.

Mais de mil pessoas presas, em escala industrial, sem individualização da culpa. Pessoas que pintaram uma estátua ou entraram em um prédio estão há dois anos presas, julgadas pelo STF sem foro e sem juiz natural. Isso é inaceitável.”

Isso se trata de uma manobra clara para retirar Jair Bolsonaro do cenário político, ele diz. E, para isso, estão prontos para passar por cima de pontos cruciais para o país.

O objetivo é tirar o Bolsonaro do jogo. E para isso estão passando por cima de direitos básicos, como a paridade de armas e o contraditório.”

Ao criticar a hipocrisia da esquerda no debate sobre anistia, Marinho apontou que os mesmos que hoje gritam “sem anistia” foram beneficiados por ela no passado.

Dilma virou presidente. Dirceu foi ministro. Lula é anistiado político. Onde está a coerência? Isso é seletividade baseada no ódio a quem pensa diferente.”

O senador disse que falta ao Brasil uma figura com estatura de líder e que o petista está mais focado em dividir o país.

Lula não é um líder. Um verdadeiro líder, como Getúlio, Juscelino ou até Dom Pedro, anistia, reconcilia, olha para o país. Lula prefere dividir.”

Já na econômica, Marinho também não deixou de criticar o governo. Apontou erros grosseiros nas estimativas orçamentárias de Fernando Haddad e classificou o governo como “incompetente, leviano e temerário”.

Não dá para confiar num governo que não sabe fazer conta. É puxadinho atrás de puxadinho. Um governo que vive de aumentar imposto porque não consegue gerar receita de forma responsável.”

Para Marinho, o Brasil vive um momento de ruptura institucional silenciosa, em que o Judiciário quer fazer o trabalho que é do Legislativo.

O Supremo quer controlar a narrativa. Quer legislar no lugar do Congresso. E isso tem um custo: a liberdade.”

Um dos pontos que ele também defende na entrevista é que o marco civil da internet já regula as redes sociais e qualquer novo avanço precisa partir do Parlamento e da sociedade, não do Judiciário.

Por fim, ele fez um apelo pela retomada do equilíbrio entre os poderes e pelo respeito à Constituição.

O que está em jogo não é um partido, é a democracia. A nossa missão é restaurar a separação dos poderes e garantir que ninguém, nem mesmo o Supremo, esteja acima da lei.”

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