Um grupo de dez mulheres, parentes de detidos por motivos políticos na Venezuela, mantém há mais de dois dias uma greve de fome diante da unidade conhecida como Zona 7 da Polícia Nacional Bolivariana, em Caracas.
A mobilização começou na manhã de sábado (14), quando as manifestantes passaram a permanecer deitadas em colchões instalados na calçada em frente ao prédio policial. Elas exigem a libertação imediata de seus familiares, presos há meses ou anos.
Com o avanço do protesto, surgiram complicações médicas. Integrantes do grupo relataram pressão alta, dores no peito e episódios de perda de consciência. Uma das mulheres chegou a desmaiar e precisou ser levada a um hospital em um carro particular, devido à falta de ambulância disponível.
Organizações de direitos humanos alertam que a situação coloca em risco não apenas as manifestantes, mas também os próprios detentos, alguns dos quais teriam aderido à paralisação alimentar dentro da unidade.
Promessas de libertação
A greve ocorre após declarações do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que em 6 de fevereiro anunciou a soltura de todos os presos políticos com a aprovação de uma lei de anistia. O processo, porém, travou por divergências sobre trechos da proposta.
No sábado, autoridades informaram a liberação de 17 detentos da mesma delegacia, medida considerada insuficiente pelas famílias, que cobram o cumprimento integral da promessa.
A ONG Foro Penal contabilizou 444 pessoas libertadas entre 8 de janeiro e 15 de fevereiro. A entidade, no entanto, não inclui em seus registros casos em que o preso deixa o cárcere, mas permanece em prisão domiciliar.
Segundo a organização, o levantamento considera apenas aqueles que efetivamente saíram dos centros de detenção.
