Um mês após ser aprovada pela Câmara dos Deputados, a PEC que extingue a escala 6×1 segue sem tramitação no Senado Federal e o governo Lula decidiu usar a data para escalar a pressão política sobre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Na quarta-feira (1º), centrais sindicais, parlamentares petistas e representantes do Executivo ocuparão o Senado em dois compromissos consecutivos para tentar destravar uma pauta que o Planalto trata abertamente como bandeira eleitoral.
A ofensiva começa às 8h, com reunião no gabinete de Alcolumbre. O encontro reúne lideranças sindicais, a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), o senador Paulo Paim (PT-RS) e os deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP). Às 10h, o plenário do Senado realiza sessão temática dedicada ao tema — sem efeito deliberativo, mas com potencial de exposição política.
A mobilização não esconde seu propósito. O próprio Palácio do Planalto admite usar a discussão como forma de “manter o tema em evidência”, segundo relatos de aliados. A aprovação da PEC é descrita internamente como “missão” entregue à senadora Teresa Leitão ao assumir a liderança do governo no Senado — cargo antes ocupado por Jaques Wagner (PT-BA), afastado após ser alvo de operação da Polícia Federal.
A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, garante dois dias de folga por semana e prevê transição de 14 meses para as empresas. O setor produtivo é contrário. Entidades empresariais alertam para aumento dos custos de contratação, risco de pressão inflacionária e impactos sobre o nível de emprego — e têm buscado Alcolumbre para negociar compensações. A equipe econômica do governo rejeita os argumentos.
Alcolumbre, por sua vez, já deixou claro que o Senado não será “carimbador” da versão aprovada pelos deputados e que o texto deve passar por alterações — o que obrigaria o retorno da PEC à Câmara e atrasaria a aprovação final. A relação entre o presidente do Senado e o Planalto vive momento de tensão desde a derrota do governo na indicação de Jorge Messias ao STF. Além da escala 6×1, outras pautas prioritárias do Executivo também acumulam atraso no Senado: a PEC da Segurança Pública, o projeto sobre minerais críticos e o Redata seguem igualmente travados.
A escolha do relator é outro impasse. O nome mais cotado entre aliados de Alcolumbre, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), já descartou assumir a função.
Aprovada pela Câmara em 27 de maio, a PEC chegou ao Senado no dia seguinte e aguarda, desde então, o despacho formal de Alcolumbre à CCJ — primeira etapa obrigatória da tramitação e que Alcolumbre disse que iria respeitar. Sem esse ato, a proposta não tem relator, calendário nem previsão de votação. A sessão de quarta-feira será, formalmente, o primeiro debate oficial da matéria na Casa.
