Itamaraty reforçou condenação ao ataques de Israel ao Irã
O Itamaraty enviou uma carta à revista The Economist na tentativa de refutar as alegações da publicação de que o presidente Lula está perdendo influência global e popularidade no Brasil. A revista afirmou que o petista se mostra “cada vez mais hostil” ao Ocidente por não se alinhar a potências que apoiaram o ataque dos EUA a instalações nucleares do Irã.
Na carta, o chanceler Mauro Vieira rebateu, afirmando que “para humanistas de todo o mundo, incluindo políticos, líderes empresariais, acadêmicos e defensores dos direitos humanos, o respeito à autoridade moral de Lula é indiscutível”.
Vieira acrescentou que Lula “não é popular entre negacionistas climáticos” e que, diante de uma nova corrida armamentista, ele se posiciona entre os líderes que denunciam a irracionalidade de investir em destruição em detrimento da luta contra a fome e o aquecimento global.
O texto do Itamaraty enfatiza que a condenação brasileira aos ataques ao Irã “responde ao fato elementar de que essas ações constituem uma flagrante transgressão da Carta da ONU”. As ações, diz a carta, ferem as normas da Agência Internacional de Energia Atômica, responsável por prevenir contaminação radioativa e desastres ambientais de larga escala.
Na reportagem, a The Economist também sugeriu que a aproximação do Brasil com o Irã se tornaria mais evidente na Cúpula do Brics, agendada para a próxima semana no Rio de Janeiro, lembrando a forte influência da China na organização.
A revista afirmou que “o papel do Brasil no centro de um Brics expandido e dominado por um regime mais autoritário faz parte da política externa cada vez mais incoerente de Lula”, pontuando ainda que o presidente petista nunca se esforçou para se encontrar com Donald Trump na Casa Branca.
Em resposta, o chanceler brasileiro reforçou que o posicionamento de Lula expressa “a coerência da política externa brasileira” e do próprio presidente na defesa da Carta da ONU, das Convenções de Genebra e do direito internacional. Ele lembrou que Lula condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia e salientou o papel do Brics como uma voz “relevante” na construção de um mundo multipolar, “mais pacífico e menos assimétrico”.
A carta foi entregue nesta madrugada por meio da embaixada do Brasil em Londres.
Leia a carta na íntegra
“Em relação ao recente artigo publicado na sua página na internet em 29 de junho, gostaria de fazer as seguintes considerações.
Poucos líderes mundiais, como o Presidente Lula, podem dizer que sustentam com a mesma coerência os quatro pilares essenciais à humanidade e ao planeta: democracia, sustentabilidade, paz e multilateralismo. Como Presidente do G20, Lula construiu um difícil consenso entre os membros, no ano passado, e ao longo do processo logrou criar uma ampla aliança global contra a fome e a pobreza. Também apresentou uma ousada proposta de taxação de bilionários que terá incomodado muitos oligarcas.
O Brasil vê o BRICS como ator incontornável na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico. Nossa presidência trabalhará para fortalecer o perfil do grupo como espaço de concertação política em favor da reforma da governança global e como esfera de cooperação em prol do desenvolvimento e da sustentabilidade.
Sob a liderança de Lula, o Brasil tornou-se um raro exemplo de solidez institucional e de defesa da democracia. Mostrou-se um parceiro confiável que respeita as regras multilaterais de comércio e oferece segurança a investidores. Como um país que não tem inimigos, o Brasil é também um coerente defensor do direito internacional e da resolução de disputas por meio da diplomacia. Não fazemos tratamento à la carte do direito internacional nem interpretações elásticas do direito de autodefesa. Lula é um eloquente defensor da Carta das Nações Unidas e das Convenções de Genebra.
A posição do Brasil quanto aos ataques ao Irã e, sobretudo, às instalações nucleares é coerente com esses princípios. Nossa condenação responde ao fato elementar de que essas ações constituem uma flagrante transgressão da Carta da ONU. Ferem, em particular, as normas da Agência Internacional de Energia Atômica, organização responsável por prevenir contaminação radioativa e desastres ambientais de larga escala.
Na gestão do Presidente Lula, o Brasil condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, ao mesmo tempo em que apontou a necessidade de abrir caminhos para uma resolução diplomática do conflito, ainda em 2023.
Lula não é popular entre os negacionistas climáticos. Em face de uma nova corrida armamentista, ele está entre os líderes que denunciam a irracionalidade de investir na destruição, em detrimento da luta contra a fome e do aquecimento global.
Para humanistas de todo o mundo, incluindo políticos, líderes empresariais, acadêmicos e defensores dos direitos humanos, o respeito à autoridade moral do presidente Lula é indiscutível.”
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