Governo proíbe “bets” para Bolsa Família e BPC
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Governo barra apostas em “bets” para beneficiários do Bolsa Família e BPC

Senado adia votação que eleva tributação de bets e fintechs após pedido da Câmara. Deputados dizem não haver consenso para avançar
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

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Por Marília Rodrigues

Operadoras terão até 30 dias para checar CPF no Sigap e encerrar contas irregulares

O Ministério da Fazenda regulamentou nesta quarta-feira (1º) a proibição de cadastro e uso de sites de apostas por beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). As regras, publicadas no Diário Oficial da União, obrigam as operadoras a checar o CPF dos usuários no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap) e a bloquear novas contas de beneficiários em até 30 dias. A medida cumpre decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou proteção especial aos recursos de programas sociais.

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Pelo regulamento, a consulta ao Sigap deve ocorrer no cadastro e no primeiro login do dia. A cada 15 dias, as operadoras precisam revalidar toda a base de clientes para identificar CPFs que tenham passado a constar nos programas.

Identificado o impedimento, a conta deve ser encerrada em até 3 dias, com aviso ao usuário e prazo de 2 dias para saque dos valores disponíveis. Passado esse período, a devolução é feita para a conta cadastrada; se for inviável, após 180 dias os recursos não retirados vão para o Fies e para o Fundo Nacional para Calamidades Públicas (Funcap).

Governo publicou no Diário Oficial da União as regras que impedem beneficiários de programas sociais apostarem em plataformas digitais.
Governo publicou no Diário Oficial da União as regras que impedem beneficiários de programas sociais apostarem em plataformas digitais. Foto: Reprodução.

Além de “Bolsa Família”, vedação do Governo vale para menores

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada à Fazenda, afirmou que o Sigap será o mecanismo central de restrição — e que a norma foi editada para dar efetividade à decisão do STF que vedou o uso de benefícios sociais em “bets”.

Em 2024, estudo do Banco Central apontou que famílias do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões para casas de apostas somente em agosto, via Pix, com mediana de gasto individual de R$ 100 — dado que motivou cobranças por medidas de proteção.

Além de beneficiários do Bolsa Família e do BPC, a instrução normativa veda cadastro e uso das plataformas para:

  • menores de 18 anos;
  • proprietários, administradores, diretores, pessoas com influência significativa, gerentes ou funcionários das operadoras;
  • agentes públicos com atribuições de regulação/fiscalização do setor;
  • pessoas com acesso a sistemas de loterias de quota fixa;
  • quem possa influenciar resultados esportivos (técnicos, árbitros, dirigentes, organizadores e atletas);
  • diagnosticados com ludopatia mediante laudo;
  • e pessoas impedidas por decisão administrativa ou judicial.

As empresas têm até 30 dias para adequação tecnológica ao Sigap. O governo indica que a fiscalização ficará concentrada na SPA e no próprio sistema. A expectativa é de redução do uso de recursos sociais em apostas e de foco das operadoras no cumprimento das rotinas de verificação periódica.

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