Os servidores do INSS que participam da força-tarefa para reduzir a fila de benefícios vão receber apenas 70% do bônus prometido
O INSS confirmou que parte do pagamento foi bloqueada por causa de um buraco orçamentário. O órgão pediu ao Ministério da Previdência uma a mais de “apenas” R$ 89 milhões para garantir a continuidade do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), criado para acelerar análises de aposentadorias, pensões e auxílios.
O programa foi lançado em setembro por Lula, mas já demonstra instabilidade. A fila do INSS hoje soma 2,6 milhões de pessoas, o maior número em anos.
Em um e-mail enviado aos servidores, e obtido pela Globonews, o INSS informou que o pagamento referente a setembro será de 69,99% do valor devido, “para contemplar a disponibilidade orçamentária atual”. O restante, segundo o texto, será quitado “assim que a recomposição orçamentária for alcançada”.
Ao site do jornalista Claudio Dantas, o Ministério da Previdência confirmou que recebeu o pedido, mas exigiu que o INSS apresente uma planilha detalhando os gastos e as tarefas já realizadas antes de liberar a verba.
O caso se arrasta desde a semana passada, quando o presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, suspendeu o programa justamente por falta de recursos. O PGB havia substituído o antigo programa de enfrentamento à fila, encerrado em 2024, e trouxe de volta o pagamento por produtividade — R$ 68 por processo concluído para os servidores e R$ 75 por perícia aos médicos peritos.
A suspensão também atinge os atendimentos extras do Serviço Social, como os ligados ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que dependem de avaliação social.
Por enquanto, o Ministério da Previdência diz aguardar a resposta do Ministério do Planejamento, responsável pela liberação da verba. Até lá, os servidores seguem com apenas parte do bônus e as filas, que o programa prometia reduzir, continuam crescendo.
