Governo Lula fecha três anos com as contas públicas no vermelho
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Governo Lula fecha três anos com as contas públicas no vermelho

Déficit de 2025 somou R$ 61,7 bilhões e só ficou dentro da meta fiscal após exclusão de despesas extraordinárias

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Por Redação

O Governo Central — formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social — encerrou 2025 com novo déficit primário nas contas públicas. Com isso, a gestão do presidente Lula (PT) completa três anos consecutivos no vermelho, mantendo a trajetória de desequilíbrio fiscal observada ao longo da última década.

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O saldo negativo do ano foi de R$ 61,7 bilhões, o equivalente a 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado representa um aumento real de 12% em relação a 2024, já descontada a inflação, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional.

A meta fiscal para 2025 previa resultado primário zero, com margem de tolerância de até 0,25% do PIB, positiva ou negativa. Apesar de o déficit total ter ultrapassado esse limite, o governo permaneceu formalmente dentro da regra ao excluir R$ 48,7 bilhões em despesas classificadas como extraordinárias do cálculo oficial.

Sem essas exclusões, o rombo teria sido de R$ 13 bilhões, o equivalente a 0,10% do PIB, patamar compatível com o arcabouço fiscal e suficiente para evitar sanções automáticas que imporiam maior restrição aos gastos no ano seguinte.

Entre as despesas retiradas do cálculo estão R$ 41,1 bilhões referentes ao pagamento extraordinário de precatórios, acordado no início do atual mandato. Também foram desconsiderados R$ 2,8 bilhões em ressarcimentos a aposentados prejudicados por descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de R$ 2,2 bilhões em gastos temporários nas áreas de saúde e educação e R$ 2,5 bilhões destinados a projetos estratégicos de defesa nacional.

No detalhamento por órgão, o Tesouro Nacional registrou superávit de R$ 256,3 bilhões em 2025. O Banco Central apresentou saldo negativo de R$ 870 milhões, enquanto a Previdência Social acumulou déficit de R$ 317,2 bilhões, principal fator de pressão sobre o resultado consolidado.

As receitas do Governo Central somaram R$ 2,94 trilhões no ano, com crescimento real de 3,2% em relação a 2024. As despesas totalizaram R$ 2,43 trilhões, alta real de 3,4%. A receita líquida, após transferências obrigatórias a Estados e municípios, atingiu R$ 2,37 trilhões.

Em dezembro, as contas registraram superávit primário de R$ 22,1 bilhões, abaixo do resultado observado no mesmo mês de 2024. No último mês do ano, Tesouro, Banco Central e Previdência tiveram saldos positivos.

Com o desempenho de 2025, o país acumula 11 anos de déficit primário nos últimos 12. A única exceção ocorreu em 2022, quando as contas públicas federais fecharam no azul.

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