O Governo Central — formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social — encerrou 2025 com novo déficit primário nas contas públicas. Com isso, a gestão do presidente Lula (PT) completa três anos consecutivos no vermelho, mantendo a trajetória de desequilíbrio fiscal observada ao longo da última década.
O saldo negativo do ano foi de R$ 61,7 bilhões, o equivalente a 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado representa um aumento real de 12% em relação a 2024, já descontada a inflação, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional.
A meta fiscal para 2025 previa resultado primário zero, com margem de tolerância de até 0,25% do PIB, positiva ou negativa. Apesar de o déficit total ter ultrapassado esse limite, o governo permaneceu formalmente dentro da regra ao excluir R$ 48,7 bilhões em despesas classificadas como extraordinárias do cálculo oficial.
Sem essas exclusões, o rombo teria sido de R$ 13 bilhões, o equivalente a 0,10% do PIB, patamar compatível com o arcabouço fiscal e suficiente para evitar sanções automáticas que imporiam maior restrição aos gastos no ano seguinte.
Entre as despesas retiradas do cálculo estão R$ 41,1 bilhões referentes ao pagamento extraordinário de precatórios, acordado no início do atual mandato. Também foram desconsiderados R$ 2,8 bilhões em ressarcimentos a aposentados prejudicados por descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de R$ 2,2 bilhões em gastos temporários nas áreas de saúde e educação e R$ 2,5 bilhões destinados a projetos estratégicos de defesa nacional.
No detalhamento por órgão, o Tesouro Nacional registrou superávit de R$ 256,3 bilhões em 2025. O Banco Central apresentou saldo negativo de R$ 870 milhões, enquanto a Previdência Social acumulou déficit de R$ 317,2 bilhões, principal fator de pressão sobre o resultado consolidado.
As receitas do Governo Central somaram R$ 2,94 trilhões no ano, com crescimento real de 3,2% em relação a 2024. As despesas totalizaram R$ 2,43 trilhões, alta real de 3,4%. A receita líquida, após transferências obrigatórias a Estados e municípios, atingiu R$ 2,37 trilhões.
Em dezembro, as contas registraram superávit primário de R$ 22,1 bilhões, abaixo do resultado observado no mesmo mês de 2024. No último mês do ano, Tesouro, Banco Central e Previdência tiveram saldos positivos.
Com o desempenho de 2025, o país acumula 11 anos de déficit primário nos últimos 12. A única exceção ocorreu em 2022, quando as contas públicas federais fecharam no azul.
