Governo e PGR defendem descontos associativos mesmo após escândalo no INSS - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Governo e PGR defendem descontos associativos mesmo após escândalo no INSS

INSS cobra documentos de mais de 250 mil consignados do Banco Master; repasses foram bloqueados e CPMI convocou Daniel Vorcaro
Prédio INSS. Foto: Rafa Neddermeyer Agência Brasil

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Por Redação

Apoio oficial é visto como contradição em meio a fraudes bilionárias contra investidores

O governo, junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), saiu em defesa do desconto associativo feito diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS, mesmo diante de fraudes que teriam causado prejuízo de R$ 6,3 bilhões.

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O Senado também se posicionou contra o fim do mecanismo, em ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação é do PDT, partido presidido por Carlos Lupi, que ironicamente era ministro da Previdência quando surgiram as irregularidades investigadas.

Segundo o partido, o INSS não deveria atuar como intermediário entre investidores e entidades privadas, já que a prática desvirtua o papel da Previdência e favorece fraudes.

Governo defende mecanismo

Em defesa dos descontos automáticos, a PGR e a Advocacia-Geral da União (AGU) alegam que o mecanismo respeita a “autonomia da vontade” dos beneficiários e oferece “comodidade e praticidade”.

O governo argumenta ainda que o modelo existe há mais de três décadas e que fraudes recentes não tornam a norma inconstitucional.

A posição gerou críticas contundentes de parlamentares. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, classificou a defesa do governo como “uma afronta à inteligência do país”.

Governo e PGR defendem no STF os descontos associativos do INSS, mesmo após fraudes bilionárias que prejudicaram aposentados.
O senador Carlos Viana é o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Fonte: Agência Senado

Para ele, enquanto a comissão investiga o maior esquema de fraude já registrado contra aposentados, o governo tenta legitimar o instrumento que permitiu o desvio bilionário.

Viana comparou a situação a um ladrão flagrado roubando uma casa de idoso: “Em vez de ser punido, o governo iria ao STF dizer que ele tinha direito de levar os móveis porque a porta estava aberta. Foi exatamente isso que fizeram com os aposentados do Brasil.”

O senador reforçou que a CPMI continuará o trabalho sem se intimidar.

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