Apoio oficial é visto como contradição em meio a fraudes bilionárias contra investidores
O governo, junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), saiu em defesa do desconto associativo feito diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS, mesmo diante de fraudes que teriam causado prejuízo de R$ 6,3 bilhões.
O Senado também se posicionou contra o fim do mecanismo, em ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação é do PDT, partido presidido por Carlos Lupi, que ironicamente era ministro da Previdência quando surgiram as irregularidades investigadas.
Segundo o partido, o INSS não deveria atuar como intermediário entre investidores e entidades privadas, já que a prática desvirtua o papel da Previdência e favorece fraudes.
Governo defende mecanismo
Em defesa dos descontos automáticos, a PGR e a Advocacia-Geral da União (AGU) alegam que o mecanismo respeita a “autonomia da vontade” dos beneficiários e oferece “comodidade e praticidade”.
O governo argumenta ainda que o modelo existe há mais de três décadas e que fraudes recentes não tornam a norma inconstitucional.
A posição gerou críticas contundentes de parlamentares. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, classificou a defesa do governo como “uma afronta à inteligência do país”.

Para ele, enquanto a comissão investiga o maior esquema de fraude já registrado contra aposentados, o governo tenta legitimar o instrumento que permitiu o desvio bilionário.
Viana comparou a situação a um ladrão flagrado roubando uma casa de idoso: “Em vez de ser punido, o governo iria ao STF dizer que ele tinha direito de levar os móveis porque a porta estava aberta. Foi exatamente isso que fizeram com os aposentados do Brasil.”
O senador reforçou que a CPMI continuará o trabalho sem se intimidar.
