Alckmin assume negociações em meio às tarifas de 50% dos EUA
O governo dos Estados Unidos demonstrou interesse em firmar acordos com o Brasil para acesso a minerais estratégicos como lítio, nióbio e terras raras. A ação ocorre durante o impasse comercial entre os dois países, marcado pela decisão americana de sobretaxar em 50% as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto.
O assunto foi levado ao setor de mineração por Gabriel Escobar, encarregado de negócios da embaixada dos EUA em Brasília, em reunião com representantes da indústria. Escobar ocupa atualmente o posto mais alto da representação americana no Brasil, já que o país está sem embaixador.
De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, apenas o governo brasileiro pode tomar decisões sobre esses bens, que pertencem à União.
“Foi demonstrado o interesse dos EUA nos chamados minerais críticos e estratégicos, mas deixamos claro que cabe ao governo decidir”, afirmou Jungmann ao jornal O Globo.
Após a reunião, o tema foi encaminhado ao vice-presidente Geraldo Alckmin, que lidera as negociações com os EUA na tentativa de evitar prejuízos comerciais. Interlocutores do governo brasileiro afirmaram que, embora as empresas possuam concessões para explorar e comercializar os minerais, qualquer oferta direta ao governo americano sem uma contrapartida política seria inviável no atual cenário.
Entre os 51 minerais de interesse estratégico dos EUA, o Brasil tem destaque em cobre, lítio, silício e terras raras. O nióbio, por exemplo, é essencial para a siderurgia e produção de materiais supercondutores. Esses recursos são considerados cruciais para a soberania tecnológica e econômica de grandes potências.
Em 2024, o Brasil exportou cerca de 400 milhões de toneladas de minérios, movimentando US$ 43,4 bilhões. A maior parte das exportações foi destinada à China (24%) e à Alemanha (12%). No sentido oposto, o país importou aproximadamente 400 mil toneladas desses minerais, com custo superior a US$ 4,3 bilhões.
A balança mineral brasileira é superavitária, com mais de 2 milhões de toneladas exportadas em 2023, o que gerou receita de US$ 6,3 bilhões.
