Governadores pedem adiamento da votação do PL Antifacção por 30 dias
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Governadores pedem adiamento da votação do PL Antifacção por 30 dias

Após a megaoperação no Alemão e na Penha, que deixou 121 mortos, o PT aciona STF e PGR contra Cláudio Castro.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Castro afirma que projeto precisa de ajustes para evitar inconstitucionalidade

Governadores ligados à direita pediram mais tempo para discutir o projeto que endurece o combate ao crime organizado e equipara facções criminosas a grupos terroristas. O pedido foi feito após reunião nesta quarta-feira (12) com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

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Segundo o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), Motta se comprometeu a conversar com o relator da proposta, deputado Guilherme Derrite (PL-SP), e com os líderes partidários para avaliar o adiamento da votação por 30 dias. “O presidente ficou de conversar com o relator e com o colégio de líderes para dar esse prazo de 30 dias”, disse Castro, ao lado de outros governadores do chamado “Consórcio da Paz”.

Castro afirmou que o objetivo é garantir segurança jurídica ao texto. “Não nos interessa aprovar uma matéria para ela ficar parada no Senado ou ser declarada inconstitucional”, declarou.

O governador também comentou a tentativa do governo Lula de usar a Operação Carbono Oculto como exemplo de ação eficiente contra o crime organizado. Segundo ele, a investigação é apenas uma entre várias frentes que precisam ser combatidas. “Que bom que pelo menos uma dessas cadeias agora tem sido investigada com a Carbono Oculto. Parece que é a solução do Brasil, não parece ser mais uma das cadeias utilizadas por eles”, afirmou.

A operação investiga as ligações do PCC com o setor de combustíveis e o mercado financeiro, com participação do Gaeco do Ministério Público de São Paulo, da Receita Federal e da Polícia Militar paulista.

Castro destacou que o crime organizado não se limita ao tráfico de drogas. “Suas ramificações atingem internet, gás, transporte alternativo, o garimpo ilegal e o desmatamento ilegal — todas com o braço dessas organizações narcoterroristas”, disse.

Ele reiterou que a segurança pública é hoje a principal pauta nacional. “Há quase dois anos eu venho falando que a segurança pública é a principal pauta do Brasil, até um pouco antes de as pesquisas de opinião começarem a falar isso”, afirmou.

Castro também contestou o argumento da esquerda de que o crime organizado é resultado da falta de oportunidades. “É uma enormidade de dinheiro gasto, todas as comunidades têm escola, todas têm projeto esportivo, todas têm projetos culturais”, declarou.

O ato no Senado, organizado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e pelo deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), homenageou as polícias do Rio e os quatro agentes mortos na megaoperação contra o Comando Vermelho.

Durante o evento, o relator Guilherme Derrite criticou o texto original do PL Antifacção enviado pelo governo federal. “Foi difícil achar o que tinha de bom no projeto do governo. Lamentavelmente, o presidente da República classificou os traficantes como vítimas”, afirmou.

Há expectativa de que a proposta, que teve nova versão apresentada na véspera, seja votada ainda nesta semana. Após críticas e pressões de órgãos de segurança, Derrite retirou trechos que afetavam a autonomia da Polícia Federal e alteravam a Lei Antiterrorismo.

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