Gonet cita ameaça de Bolsonaro a Fux em ato de 7 de Setembro e fala em “projeto autoritário” - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Gonet cita ameaça de Bolsonaro a Fux em ato de 7 de Setembro e fala em “projeto autoritário”

Paulo Gonet será sabatinado na CCJ do Senado antes de assumir novamente a Procuradoria-Geral da República.
Foto: Rosinei Coutinho/STF

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Por Marília Rodrigues

No julgamento da suposta tentativa de golpe de Estado, Gonet defende condenação de Bolsonaro e afirma que ex-presidente “incitou animosidade” contra o Judiciário

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, retomou um episódio de 7 de Setembro de 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) ameaçou o ministro Luiz Fux, à época presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em manifestação ocorrida na Avenida Paulista, em São Paulo. Gonet fez a sustentação de sua acusação durante a primeira sessão de julgamento da Ação Penal 2668.

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Na ocasião, Bolsonaro também chamou o ministro Alexandre de Moraes de “canalha” e declarou. Para Gonet, a fala do ex-presidente “não pode ser confundida com um arrobo isolado, mas expunha o projeto autoritário”.

No plenário, ao relembrar o episódio, o procurador-geral dirigiu o olhar a Fux, que vem sendo visto por apoiadores de Bolsonaro como uma possível esperança no julgamento. O ministro, por exemplo, foi o único da Primeira Turma a votar contra o uso de tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente, além de criticar o número de delações firmadas por Mauro Cid.

Gonet sustentou que Bolsonaro “incitava desabridamente a animosidade contra o Poder Judiciário” e que a “escalada verbal” foi acompanhada de manifestações organizadas com faixas pedindo intervenção militar. O procurador-geral rebateu as defesas, que apontavam ausência de conexão entre os fatos narrados na denúncia: “Organização e método, a propósito, permearam o processo criminoso. Havia previsão de medidas de intervenção inaceitáveis constitucionalmente sobre o exercício das atividades do Poder Judiciário”.

O julgamento iniciado nesta segunda-feira analisa o chamado “núcleo 1” da suposta tentativa de golpe, que tem Bolsonaro e outras sete pessoas como réus.

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