Gilmar vota por soltar primo de Vorcaro e conceder prisão domiciliar ao pai do banqueiro
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Justiça

Gilmar vota por soltar primo de Vorcaro e conceder prisão domiciliar ao pai do banqueiro

Ministro do STF questiona manutenção das prisões na Operação Compliance Zero

Gilmar Mendes afirma que STF pode discutir descriminalização de todas as drogas após decisão sobre porte de maconha.
Foto: Ton Molina/STF

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira (16) pela substituição das prisões de Henrique Moura Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, respectivamente pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no âmbito da Operação Compliance Zero.

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No entendimento do magistrado, as medidas cautelares seriam suficientes para garantir o andamento das investigações sem a necessidade de manutenção das prisões preventivas.

Para Henrique Vorcaro, Gilmar propôs a conversão da prisão em regime domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica. O ministro também defendeu a proibição de contato com outros investigados e testemunhas, restrição para mudança de endereço sem autorização judicial e saída de casa apenas para atendimentos médicos previamente autorizados.

Já em relação a Felipe Cançado Vorcaro, apontado pela Polícia Federal como integrante do núcleo financeiro-operacional investigado, o voto prevê a revogação da prisão preventiva e a adoção de medidas cautelares, incluindo comparecimento periódico à Justiça, proibição de alteração de residência sem autorização e impedimento de contato com demais envolvidos no caso.

Durante o voto, Gilmar Mendes questionou a proporcionalidade das prisões e observou que investigados com atuação direta na gestão do Banco Master já tiveram a liberdade restabelecida anteriormente, enquanto Henrique Vorcaro continuava detido.

“Tal situação parece destoar da lógica de isonomia e proporcionalidade, o que recomenda a substituição da prisão por medidas alternativas”, afirmou.

O ministro também demonstrou preocupação com a possibilidade de que a prisão de familiares de Daniel Vorcaro pudesse ser interpretada como instrumento de pressão para eventual colaboração premiada.

“Tem sido amplamente noticiada a possibilidade de acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro. A mera perspectiva de eventual acordo dessa natureza serve para recordar: quanto maior a relevância atribuída ao depoimento do delator, mais rigoroso deve ser o controle judicial sobre a legalidade e voluntariedade do eventual acordo”, declarou.

Ao longo da manifestação, Gilmar fez críticas à condução da Operação Compliance Zero e estabeleceu comparações com a extinta Operação Lava Jato, frequentemente alvo de questionamentos do ministro.

“É com certa incredulidade (e alguma tristeza) que me sinto obrigado a registrar que, já há algum tempo, as providências adotadas no presente caso vêm guardando semelhanças que não podem ser ignoradas com as iniquidades praticadas na Lava Jato”, afirmou.

A Segunda Turma do STF analisa se confirma ou não as decisões do ministro André Mendonça que determinaram as prisões. Antes do voto de Gilmar Mendes, Mendonça e Luiz Fux haviam se manifestado pela manutenção das detenções.

Henrique Vorcaro é investigado sob suspeita de atuar como operador financeiro e de integrar um suposto núcleo responsável por intimidações e obtenção de informações sigilosas. Já Felipe Cançado Vorcaro é apontado pelos investigadores como peça relevante nas operações financeiras sob apuração.

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraudes no sistema financeiro envolvendo operações ligadas ao Banco Master. Segundo a Polícia Federal, o grupo é suspeito de movimentar valores bilionários por meio da emissão de títulos sem lastro e de outras práticas consideradas irregulares.

Com o voto de Gilmar Mendes, o julgamento segue em andamento na Segunda Turma do STF.

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