Gilmar Mendes ironiza Moro: “Não sabe se ‘tigela’ é com G ou J”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Gilmar Mendes ironiza Moro: “Não sabe se ‘tigela’ é com G ou J”

Ministro critica imprensa e defende inquérito das fake news

Segundo o ministro, a mídia concentra atenção excessiva no tribunal. Foto: Victor Piemonte/STF.

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Por Redação

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ironizou nesta quinta-feira (26) o senador Sergio Moro (União-PR) durante cerimônia que marcou os 135 anos da Corte. Em seu discurso, Mendes defendeu a atuação do tribunal em processos relacionados à Lava Jato e ao inquérito das fake news, e criticou a cobertura da imprensa sobre o STF.

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Segundo o ministro, a mídia concentra atenção excessiva no tribunal.

“Se um alienígena chegasse ao Brasil e acompanhasse apenas o noticiário recente, concluiria que todos os problemas do país se restringem ao Supremo, e que essa seria a única instituição brasileira a merecer aprimoramentos”, afirmou.

Mendes também chamou atenção para a ausência de autocrítica por parte de veículos que, segundo ele, exaltaram a Lava Jato, mas ignoraram abusos posteriormente revelados pela Operação Spoofing.

“Causa perplexidade que os mesmos veículos que exaltaram a Lava Jato não tenham feito, até hoje, um mea-culpa diante dos excessos comprovados”, disse.

Em tom irônico, o decano citou diretamente Moro:

“Muitos jornalistas importantes, hoje talvez até promovidos na mídia qualificada, eram ghostwriters de Moro e companhia. E veja: Moro precisava desses ghostwriters porque talvez não soubesse escrever a palavra ‘tigela’ com G ou com J”.

O comentário foi feito no contexto de críticas à condução da Lava Jato e à divulgação de mensagens da chamada “Vaza Jato”, que fundamentaram a declaração de suspeição do ex-juiz em processos envolvendo o presidente Lula (PT).

Durante a celebração, Mendes também defendeu o inquérito das fake news, instaurado em março de 2019 e alvo de críticas por sua duração e amplitude. O ministro afirmou que a investigação foi necessária diante de ameaças à democracia e da disseminação de informações falsas, destacando que a medida poderia ter contribuído para reduzir impactos negativos durante a pandemia de Covid-19.

O decano lamentou a forma como a imprensa retrata a Corte, afirmando que há uma “narrativa de deslegitimação” contra o tribunal, e criticou comparações que associam o STF a métodos da Lava Jato.

“É irônico que os mesmos que antes incensavam a força-tarefa agora acusam a Corte de seguir uma cartilha lavajatista em inquéritos que defendem a democracia”, disse.

Para Mendes, apesar das críticas, o tribunal continua merecendo a confiança da população. “Nada disso é reconhecido ou destacado por setores da mídia, que dão de ombros para as evidências, mas o STF permanece digno da confiança dos brasileiros”, concluiu.

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