Gilmar libera ataques de Zeca contra Dallagnol
Brasília, Quarta, 08 de julho de 2026
Justiça

Gilmar libera ataques de Zeca contra Dallagnol

Ministro do STF afirmou que publicações do deputado petista estão protegidas pela liberdade de expressão

Foto: Carlos Moura/SCO/STF

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Por Redação

O ministro do STF Gilmar Mendes derrubou uma decisão do TRE-PR que determinava a remoção de publicações feitas pelo deputado federal Zeca Dirceu contra o ex-deputado Deltan Dallagnol. Nas postagens, o parlamentar petista afirmava que Dallagnol “segue inelegível”, “não poderá ser candidato por 8 anos” e que teria sido “pego tentando desviar R$ 2 bilhões de recursos públicos” durante a Operação Lava Jato.

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Ao analisar o caso, Gilmar afirmou que as manifestações estavam amparadas pela liberdade de expressão e por interpretações baseadas em decisões públicas do TSE e do CNJ. O ministro também entendeu que não houve propaganda eleitoral antecipada negativa nem disseminação de desinformação, contrariando o entendimento adotado anteriormente pelo tribunal eleitoral do Paraná.

Segundo a decisão, a retirada das publicações configuraria hipótese de “censura”, vedada pela jurisprudência consolidada do STF. Gilmar sustentou que críticas políticas contundentes e manifestações fundamentadas em fatos públicos devem permanecer no debate público.

O caso chegou ao Supremo após o Partido Novo acionar a Justiça Eleitoral contra as postagens de Zeca Dirceu. O TRE-PR havia entendido que o conteúdo poderia induzir eleitores ao erro ao afirmar que Dallagnol estaria impedido de disputar as eleições de 2026.

Na reclamação apresentada ao STF, Zeca Dirceu questionou a ordem judicial que obrigava a remoção das publicações das redes sociais. Gilmar acolheu o pedido e afirmou que a decisão do TRE afrontava precedentes da Suprema Corte relacionados à liberdade de expressão.

Em um dos trechos da decisão, o ministro apontou que a afirmação de que Dallagnol “segue inelegível” possui respaldo no julgamento do TSE que indeferiu o registro de candidatura do ex-procurador nas eleições de 2022. Gilmar destacou que a Corte Eleitoral reconheceu a aplicação da Lei da Ficha Limpa pelo período de oito anos após o pedido de exoneração de Dallagnol do Ministério Público Federal.

“A interpretação manifestada pelo reclamante se ampara diretamente no que assentou o TSE em deliberação já transitada em julgado”, escreveu o ministro.

Gilmar também validou a publicação em que Zeca Dirceu afirma que Dallagnol foi “pego tentando desviar R$ 2 bilhões de recursos públicos”. Segundo o magistrado, a declaração encontra respaldo em documentos públicos produzidos durante a correição extraordinária do CNJ sobre a atuação da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Na decisão, o ministro reproduziu trechos do relatório do CNJ que mencionam um “conúbio” entre procuradores, investigadores e magistrados, além de referências à tentativa de direcionamento bilionário de recursos ligados à Petrobras para uma fundação privada vinculada à operação.

Para Gilmar, mesmo que Dallagnol discorde das interpretações feitas sobre decisões judiciais e relatórios públicos, isso não autoriza a remoção das manifestações do debate político. “O remédio para aqueles que discordam de seu teor consiste em discutir o tema e contrapor os seus argumentos perante a esfera pública”, afirmou.

Em nota, Dallagnol reagiu à decisão e afirmou que Gilmar Mendes não participará do julgamento de eventual candidatura sua no TRE-PR ou no TSE. “O ministro Gilmar Mendes, que vive me atacando e xingando, liberou que façam fake news contra mim, permitindo que meus opositores mintam, quando o TSE não me declarou inelegível nem cassou meus direitos políticos”, declarou.

O ex-deputado também afirmou que o ministro já o chamou de “gângster”, “crápula” e “fascista”. “Gilmar não é intocável. É intragável”, disse.

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